A Organização Mundial da Saúde (OMS) voltou a demonstrar preocupação com o avanço do surto de ebola registrado entre a República Democrática do Congo e Uganda.
Segundo atualização divulgada nesta quarta-feira (20/5), a doença já soma 528 casos suspeitos e 132 mortes relacionadas à variante Bundibyo vírus, considerada uma das cepas mais raras e perigosas da enfermidade.
O alerta acontece poucos dias após a própria OMS declarar o surto como uma emergência de saúde pública de importância internacional, decisão anunciada no último domingo (17/5) diante do avanço acelerado da contaminação na região africana.
Situação preocupa autoridades
De acordo com a entidade, ao menos 668 pessoas que tiveram contato com pacientes infectados já foram identificadas pelas equipes de saúde. Mesmo assim, a violência em áreas de conflito, as restrições de deslocamento e a precariedade do sistema de saúde dificultam o controle da doença.
A OMS admite que os números oficiais ainda podem estar abaixo da realidade enfrentada pela população local, principalmente em regiões onde muitos pacientes não conseguem chegar aos hospitais.
“Sabemos que a dimensão da epidemia é muito maior. Esperamos que esses números continuem aumentando”, afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.
Variante rara e sem vacina
O surto ocorre em uma área de intensa circulação entre Congo e Uganda, fator que aumenta o risco de disseminação do vírus entre diferentes cidades e comunidades da região.
A cepa responsável pelo avanço da doença é a Bundibugyo ebolavirus, uma variante rara do ebola que ainda não possui vacina ou tratamento específico aprovado pelas autoridades sanitárias internacionais.
Transmitido pelo contato direto com sangue e secreções de pessoas infectadas, o vírus apresenta alta taxa de mortalidade, podendo matar entre 30% e 40% dos pacientes contaminados.
Emergência global ampliou alerta internacional
A classificação da OMS como emergência internacional não significa, necessariamente, que o mundo esteja diante de uma pandemia, mas serve para acelerar respostas globais e facilitar o envio de recursos, profissionais e apoio humanitário à região afetada.
A principal preocupação das autoridades sanitárias é justamente a dificuldade de conter a circulação da doença em áreas com estrutura médica limitada e histórico de conflitos armados.
Além do ebola, outros vírus também vêm sendo monitorados por órgãos internacionais de saúde, como o hantavírus Andes, identificado principalmente em países da América do Sul, como Argentina, Chile e Uruguai.
