A Polícia Militar realizou uma operação na reitoria da USP, no campus Butantã, por volta das 4h15 deste domingo (10/05/2026), para retirar estudantes que ocupavam o prédio desde a última quinta-feira (7).
A ação aconteceu em meio à greve estudantil iniciada em abril, marcada por cobranças relacionadas às condições de permanência dos alunos e à infraestrutura da universidade.
De acordo com informações divulgadas pelo G1, os policiais utilizaram escudos, cassetetes, bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo durante a desocupação. A operação terminou com estudantes feridos e quatro pessoas detidas.
O Diretório Central dos Estudantes (DCE Livre da USP) acusou os agentes de promoverem um “corredor polonês”, prática em que manifestantes seriam agredidos enquanto deixavam o local, e responsabilizou o reitor Aluísio Segurado pela repressão.
Contexto da ocupação
A ocupação da reitoria teve início na tarde do dia 7 de maio, quando cerca de 400 estudantes entraram no prédio durante um protesto contra o encerramento das negociações entre os alunos e a administração da universidade.
Desde então, os manifestantes passaram a se revezar em turnos, montaram barracas e organizaram atividades culturais dentro do espaço.
Mesmo após o corte de água e energia elétrica realizado pela USP na sexta-feira (8), os estudantes permaneceram no local. O movimento faz parte de uma greve estudantil que atingiu 104 cursos da USP, da Unicamp e da Unesp.
Entre as principais reclamações estão problemas estruturais no Crusp (Conjunto Residencial Universitário), vazamentos de gás e falta de manutenção em diferentes áreas da universidade.
Detalhes da ação policial
Segundo o DCE, a operação contou com cerca de 35 policiais do BAEP e durou aproximadamente 15 minutos. A entidade estudantil afirma que dezenas de alunos ficaram feridos após o uso de gás lacrimogêneo e agressões com cassetetes durante a retirada dos manifestantes.
Vídeos publicados nas redes sociais mostram momentos de tensão e correria na saída do prédio. Os quatro estudantes detidos foram levados para o 7º Distrito Policial, na Lapa. Até a publicação das reportagens, não havia confirmação oficial sobre a situação deles.
Reivindicações estudantis
Os estudantes em greve defendem o aumento das bolsas de permanência para R$ 1.804, valor equivalente ao salário mínimo paulista. Atualmente, a proposta apresentada pela USP prevê auxílio integral de R$ 912.
Além da questão financeira, os manifestantes também pedem melhorias nas moradias estudantis, reformas nos bandejões e investimentos no Hospital Universitário, que, segundo os alunos, perdeu cerca de 30% de seu quadro de funcionários nos últimos anos.
A reitoria afirmou, em nota, que lamenta a ocupação e os danos causados ao patrimônio público, destacando que a prioridade da universidade foi garantir a segurança da comunidade acadêmica. Já os estudantes afirmam que a falta de diálogo contribuiu para o agravamento da crise.
Reações e consequências
O DCE divulgou uma nota criticando a ação da Polícia Militar, destacando que a operação ocorreu “em pleno Dia das Mães”. A entidade também voltou a cobrar diálogo com o reitor Aluísio Segurado e com o chefe de gabinete Edmilson Dias.
A Polícia Militar informou que deverá se pronunciar oficialmente sobre a operação. Até o momento, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo não havia divulgado posicionamento.
Após a desocupação, policiais continuaram posicionados nas proximidades da reitoria. Enquanto isso, a greve na USP segue sendo debatida em assembleias realizadas em diferentes unidades da universidade, incluindo a Faculdade de Direito.
