Pandemia ainda gera medo, mas brasileiro não quer mais ficar em casa

Segundo pesquisa, 78% dos brasileiros ainda estão preocupados com o futuro, mas apenas 43% recomendariam a amigos e familiares para ficar em casa, menos da metade do percentual verificado em 2020

Dono de uma transportadora, o morador de Jundiaí-SP, Márcio Rodrigo Silva dos Santos, de 42 anos, conta que no começo da pandemia, em março de 2020, ele tinha muito medo do vírus e tentava seguir todas as medidas de contenção da pandemia. Mais de um ano depois, contudo, apesar de seguir algumas regras e conhecer pessoas que se infectaram com o Sars Cov-2, ele não diria aos conhecidos para que fiquem em casa.

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“Nas primeiras quatro semanas, confesso que tive muito medo da pandemia. Fiquei um pouco amedrontado, quando vi que teria medidas restritivas. Fiquei em casa e tentava manter o máximo de distância possível das pessoas (…). Hoje, continuo preocupado, sei que o vírus existe, uso máscara, álcool em gel, mas eu não recomendaria para que as pessoas fiquem em casa, pois, entre outras coisas, acredito que a fome acaba matando muito mais gente do que a própria pandemia”, diz.

Assim como Santos, um número considerável de pessoas não diria para amigos e familiares ficarem em casa, apesar da alta de mortes e contágio que o Brasil vive atualmente. Segundo levantamento realizado pela Hibou (empresa especializada em pesquisa e monitoramento de mercado e consumo), apenas 43% dos brasileiros fariam essa recomendação hoje. Em março de 2020, esse percentual era de 85%.

“Depois de tanto tempo, as pessoas estão desacreditando que ficar em casa é um caminho válido”, analisa Lígia Mello, sócia da Hibou.

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O psicólogo Yuri Busin, diretor do Centro de Atenção à Saúde Mental – Equilíbrio (CASME), concorda e completa: “No passado houve um grande susto, ninguém sabia exatamente o que era esse vírus, mas, conforme foi passando tempo, o brasileiro foi perdendo um pouco de confiança nas medidas governamentais e, além de tudo isso, as pessoas passaram a perceber que muitos negócios estavam quebrando e passaram a tomar riscos maiores.”

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Medo
Ainda de acordo com a pesquisa, mais de um ano depois do início da pandemia e mesmo com menos da metade da população querendo ficar em casa, quando o assunto é Covid-19 são os sentimentos ruins que afloram na maioria das pessoas, com 78,4% da população preocupada com a situação. Outros 59,2% se sentem inseguros, 51,8% estão cansados, 50,5% sentem medo e 38,5% estão exaustos.

“Estamos exaustos com toda essa situação e o sentimento de impotência, medo, insegurança e incerteza está cada vez mais presente. O brasileiro sinalizou que não sabe quando acaba ou como vai ser o dia seguinte, e que isso é horrível, além de ter que conviver com a sensação de não poder fazer planos para um possível futuro”, ressalta Lígia.

Dentre as situações que mais geram apreensão na população estão:

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•O medo de alguém de casa ou da família ficar doente ( 80,1%);
•Falta de ação do governo (58,6%);
•Impossibilidade de encontrar os amigos (23,2%);
•Não poder sair de casa (22,7%);
• Utilizar máscara na rua (19%);
• Ficar sem trabalho e não viajar (16,9%).

Como lidar com a pandemia?
Na opinião de Busin, a confusão de sentimentos gerada pela pandemia, pede um cuidado especial com a saúde mental. “Muitas pessoas estão com um sentimento de desilusão com o futuro, o que é muito perigoso. Não podemos perder as esperanças”, diz ele.

Dessa forma, ele acredita que algumas atitudes são importantes durante este período, como tomar cuidado com o excesso de informação, constituir um hobby, praticar exercícios físicos, encontrar os amigos virtualmente e não deixar de lado os cuidados com a aparência.

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“Produzir algo é importante para ter um sentimento de utilidade, então, a pessoa pode buscar algumas coisas que gostaria de ter desenvolvido no passado e colocar em prática agora. Cuidar da própria estética e não ficar apenas de pijama, também é uma atitude interessante, pois devemos nos cuidar, especialmente, para nós mesmos”, finaliza.