Pandemia derrubou PIB do ABC em R$ 5,2 bilhões no ano passado

PIB regional teria saltado de R$ 126,6 bilhões em 2018 (último dado publicado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE) para R$ 128,3 bilhões em 2019, mas recuado para R$ 123,1 bilhões em 2020

No corte por tipo de adesão, reduções de jornada e salário representam a maioria (57,3%) dos acordos

No corte por tipo de adesão, reduções de jornada e salário representam a maioria (57,3%) dos acordos | Imprensa Volkswagen

Em 2020, a pandemia de Covid-19 provocou forte impacto na economia global, e o ABC não fugiu à regra. A crise sanitária teria causado perdas de R$ 5,2 bilhões na produção de riquezas dos sete municípios.

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A estimativa consta de nota técnica publicada na 16ª Carta de Conjuntura da Universidade de São Caetano (USCS) e considera que a economia dos sete municípios evoluiu na mesma magnitude do Produto Interno Bruto (PIB) do país – ou seja, cresceu 1,4% em 2019, mas recuou 4,1% no ano passado. As informações foram publicadas no site “Diário Regional”. 

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Assim, o PIB regional teria saltado de R$ 126,6 bilhões em 2018 (último dado publicado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE) para R$ 128,3 bilhões em 2019, mas recuado para R$ 123,1 bilhões no ano passado.

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Porém, para os autores do estudo, a retração regional pode ter sido até maior do que a média nacional, em função do forte impacto da pandemia sobre a atividade industrial e o comércio exterior, ambos com peso expressivo na economia da região.

“Considerar que o ABC teve o mesmo tombo do país é uma projeção bastante conservadora, tendo em vista o peso do setor industrial e, especialmente, do setor automotivo em nossa economia. Quando os números oficiais saírem (o que só vai ocorrer em dezembro de 2022), certamente a redução será muito maior”, afirmou o economista Jefferson José da Conceição, que coordena o Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura da USCS (Conjuscs) e assina a nota juntamente com a também economista Gisele Yamauchi.

O estudo destaca que o tombo da economia em 2020 deu-se no formato de “W”, ou seja, com pequena recuperação no primeiro bimestre após 2019 difícil, queda entre março e maio, retomada a partir de junho acompanhando a liberação das atividades econômicas e o aumento do consumo, e nova oscilação e preocupação no final do ano com o encerramento do auxílio emergencial e com o recrudescimento do número de contagiados e de mortos.

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“Nós já havíamos alertado para a possibilidade de a recuperação em ‘W’ ocorrer, porque a economia depende completamente da solução da Saúde para conseguir retomada sustentável. Esse movimento fica patente no comportamento do emprego no ABC”, afirmou o economista.

Conceição refere-se ao fato de o mercado de trabalho com carteira assinada da região ter encerrado o ano passado com o fechamento líquido de 11,7 mil vagas, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério da Economia. O resultado refletiu a geração de vagas em janeiro e fevereiro, demissões entre março e julho (período mais agudo da pandemia em 2020), retomada das contratações de agosto a novembro e cortes em dezembro.

O economista entende que o cenário para 2021 é de incertezas. “Todas as âncoras que determinam o comportamento do PIB – consumo interno, investimento, exportações e gastos do governo – têm sinal negativo. O gasto público vai se voltar para o auxílio emergencial, o que é importante, mas não haverá impulso de obras públicas”, disse o economista, para quem o país precisa de um “plano nacional de enfrentamento à pandemia que articule ações integradas nas áreas de economia, Saúde e meio ambiente”.