Um pastor de 55 anos da Flórida (EUA) processou a OpenAI e o seu CEO, Sam Altman, após alegar que recomendações do ChatGPT atrasaram o atendimento de uma embolia pulmonar potencialmente fatal.
Segundo a ação, Scott Winters consultava o chatbot sobre problemas de saúde desde 2024, após começar a sentir tonturas. Em uma ocasião, ficou tão tonto durante um culto que precisou interromper o sermão.
O ChatGPT teria recomendado que ele “pegasse leve” e afirmado que se recuperaria com o tempo.
Nas semanas seguintes, Winters passou longos períodos em uma poltrona e teria recebido orientações para permanecer sentado, o que, segundo a acusação, agravou o quadro de saúde. O caso foi noticiado pelo The New York Times em julho deste ano.
Caso que levou Winters à Justiça
Quando Winters contou que pessoas da igreja sugeriam que procurasse um hospital, o chatbot teria respondido que “a maioria das pessoas (incluindo membros bem-intencionados da igreja) simplesmente não entende” a proposta de recalibrar seu sistema nervoso em casa.
Em 13 de julho de 2025, ele relatou dor na virilha e recebeu como resposta que aquilo era “muito provavelmente de mais uma pequena parte dessa longa história”. Horas depois, foi internado na UTI com uma embolia pulmonar maciça.
De acordo com o processo, médicos concluíram que as tonturas poderiam estar relacionadas a pequenas embolias anteriores. Os coágulos, por sua vez, provavelmente teriam se desenvolvido após semanas de imobilidade.
Winters precisou de ajuda para realizar atividades básicas e afirma que enfrentará “anos de intensa recuperação física e psicológica”.
Acusação contra a OpenAI
Apresentado no Tribunal Superior da Califórnia, em São Francisco, o processo acusa a OpenAI e Sam Altman de negligência e de “exercício não autorizado da medicina”.
A ação também questiona os mecanismos de segurança do chatbot. Para Meetali Jain, advogada do caso, o sistema “se coloca como uma barreira entre o usuário e sua rede de apoio na vida real”.
A OpenAI, por meio do porta-voz Drew Pusateri, afirmou que o ChatGPT não foi criado para diagnósticos ou tratamentos médicos.
“Tratar os chatbots como a única explicação por trás das decisões médicas ou dos resultados de saúde das pessoas simplifica excessivamente um desafio muito maior e pode acabar dificultando o acesso a novas ferramentas poderosas que podem auxiliá-las em sua jornada de cuidados com a saúde”, disse ele, conforme a CBS News.
Outros processos semelhantes
O caso ocorre após outras ações relacionadas a orientações de sistemas de inteligência artificial.
Em maio, um processo alegou que o ChatGPT exerceu ilegalmente a medicina ao fornecer instruções sobre drogas ilícitas a um jovem de 19 anos, que morreu após uma overdose.
Na Pensilvânia, autoridades também processaram a Character.ai, acusando um chatbot de psiquiatria de afirmar que era licenciado para exercer medicina no estado.
Riscos de usar a IA para conselhos de saúde
A OpenAI afirma que mais de 300 milhões de pessoas usam semanalmente o ChatGPT para perguntas sobre saúde.
Porém, um estudo publicado na Nature Medicine, em fevereiro de 2026, analisou 960 respostas do ChatGPT Health e constatou que a ferramenta subestimou 52% dos casos de emergência médica real, recomendando espera em vez de atendimento imediato.
A pesquisa também apontou falhas na identificação de emergências e inconsistências nos mecanismos de proteção.
Pusateri, representante da OpenAI contestou os resultados, afirmando que a metodologia “não reflete a forma como as pessoas normalmente utilizam o ChatGPT Health nem como o produto foi projetado para funcionar em cenários reais de saúde”.
