A expansão do crime organizado deixou de ser apenas uma questão de segurança pública e passou a ter impacto direto sobre a economia brasileira, na avaliação de Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
O empresário defendeu que o combate à criminalidade seja tratado como prioridade pelos próximos governantes.
A declaração foi dada em entrevista durante o Congresso Fiesp de Segurança Pública, realizado nesta segunda-feira (31/8), na capital paulista.
O evento reuniu especialistas e autoridades brasileiras e estrangeiras para discutir estratégias de enfrentamento ao crime organizado.
Para Skaf, a insegurança interfere em diferentes setores da economia e muda até o comportamento cotidiano da população.
A segurança pública, ela interfere nos investimentos do País, ela interfere no turismo do país, interfere de modo geral na economia, no comportamento das pessoas, no emprego, no trabalho, nos tipos de negócio, enfim.
Segundo o presidente da Fiesp, o problema também deixou de estar concentrado nas grandes cidades.
Ele afirmou que a sensação de insegurança alcança municípios menores e diferentes regiões do país.
Não há sensação de segurança nem na casa, nem no ponto de ônibus, nem na calçada, nem na rua, nem dentro do ônibus, nem dentro do carro, lugar nenhum.
Skaf também relacionou a situação à atuação cada vez maior das organizações criminosas e cobrou uma reação mais firme do poder público.
O crime organizado cresceu muito nos últimos anos e todos nós somos testemunha disso. E se não der um basta, eu não sei onde isso vai parar.
Indústria também é afetada
Durante a entrevista, Skaf ressaltou que a preocupação da Fiesp com o tema está ligada ao próprio peso da indústria na economia.
Segundo ele, o setor representa cerca de um quarto do PIB brasileiro quando consideradas as diferentes atividades que integram a indústria.
Se o Brasil não for bem, não há como a indústria do Brasil ir bem. E se a indústria não for bem, não há como o Brasil ir bem também.
O empresário defendeu que a resposta ao crime envolva diferentes instituições, incluindo governos, polícias, Ministério Público, Judiciário e órgãos de inteligência financeira.
Entre as medidas citadas está o rastreamento do dinheiro movimentado pelas organizações criminosas, com participação de estruturas como Receita Federal e Coaf.
Para Skaf, o objetivo do congresso foi justamente reunir experiências e propostas que possam ser transformadas em diretrizes para os governantes.
Então eu espero que os novos governantes que serão eleitos agora nesse pleito que tá chegando, tenham como prioridade a segurança pública e tenham a coragem de tomar as providências que são necessárias.







