Peixe-demônio sem olhos: cientista escorrega em caverna e descobre nova espécie inspirada em ‘Stranger Things’

Raríssimo animal vive sob uma antiga base de armas químicas no Alabama e já pode estar sob grave ameaça de extinção

Peixe-demônio

Animal apresenta uma corcova pronunciada atrás da cabeça, focinho achatado e pele totalmente pálida, sem qualquer pigmentação/Divulgação/Niemiller Nature

Um simples acidente de percurso revelou um dos animais mais raros do planeta para a ciência. Durante um levantamento biológico no início de 2025, o pesquisador Matthew Niemiller escorregou na lama de uma caverna no Alabama, Estados Unidos, e caiu em uma poça profunda.

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Ao se recuperar do tombo, ele avistou e fotografou uma criatura inédita: o peixe-demônio das cavernas.

O acidente que revelou o mistério do ‘peixe-demônio’

Niemiller, que dirige o laboratório de biologia de cavernas da Universidade do Alabama em Huntsville, explorava a “Sala dos Camarões” na Bobcat Cave quando o incidente ocorreu.

O pesquisador agiu rápido e registrou o animal com uma câmera subaquática antes que o sedimento deixasse a água turva. Posteriormente, a análise das imagens e de novos exemplares confirmou que a espécie diferia de qualquer peixe conhecido na região.

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O animal apresenta uma corcova pronunciada atrás da cabeça, focinho achatado e pele totalmente pálida, sem qualquer pigmentação.

Outro peixe de animal semelhante é o peixe-diabo, mas que se trata de outra espécie: o Melanocetus johnsoniii.

Homenagem ao ‘Mundo Invertido’ de Stranger Things

Devido à sua aparência peculiar e ao habitat sombrio, os cientistas batizaram a nova espécie como Demogorgonichthys arcanus.

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O nome homenageia o monstro Demogorgon, da série Stranger Things, cuja origem remete à mitologia grega. Além disso, o termo latino arcanus reforça o caráter misterioso e oculto do peixe, que permaneceu desconhecido por décadas apesar das buscas constantes no local.

Evolução e perda da visão

A genética explica por que esses animais não possuem olhos visíveis. Os pesquisadores identificaram mutações que inativaram o gene da rodopsina, proteína essencial para a visão.

A evolução moldou o peixe dessa forma porque, na escuridão total da caverna, enxergar não oferece vantagem competitiva.

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Curiosamente, os cientistas descobriram que esse processo ocorreu de forma independente em relação a outras espécies do local, um fenômeno que a biologia chama de evolução convergente.

Sobrevivência sob armas químicas

O lar do peixe-demônio guarda um passado perigoso. A Bobcat Cave fica sob o Redstone Arsenal, uma instalação militar que fabricou e enterrou armas químicas durante a Segunda Guerra Mundial, incluindo gás mostarda e agentes neurotóxicos.

Embora a água apresente níveis elevados de metais como chumbo e cádmio, os especialistas consideram a ausência de olhos uma adaptação natural ao ambiente, e não uma mutação causada por poluentes.

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Contudo, a distribuição geográfica limitada torna a espécie vulnerável, e ela já atende aos critérios para figurar como “criticamente em perigo” na Lista Vermelha da IUCN.

Atualmente, o monitoramento ambiental da caverna ajuda a proteger o novo peixe, já que o local é um santuário para camarões ameaçados de extinção.

Como resume Niemiller, a preservação da água que beneficia os crustáceos garante, simultaneamente, a sobrevivência deste novo e misterioso habitante das profundezas.