A Polícia Federal (PF) espera concluir em agosto a investigação criminal sobre a queda do avião da Voepass em Vinhedo, no interior de São Paulo. A informação foi divulgada pela própria corporação nesta quarta-feira (22/7). O acidente aconteceu em 2024 e resultou em 62 mortes.
Segundo a apuração realizada pelo portal g1, a previsão é que o inquérito seja concluído depois da divulgação do relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), prevista para esta quinta-feira (23/7).
O órgão tenta identificar os fatores que contribuíram para o acidente, ao mesmo tempo em que planeja medidas para evitar novas ocorrências. Já a Polícia Federal investiga possíveis crimes que podem levar à responsabilização criminal dos envolvidos.
No fim do último mês de junho, representantes das 62 vítimas tiveram acesso ao laudo técnico da Polícia Federal e à transcrição integral das conversas na cabine da aeronave. Os familiares presentes optaram por não ouvir os áudios gravados para evitar reviver o momento de tensão da tragédia.
A análise das gravações revelou que a tripulação notou a perda repentina de sustentação e altitude. O relatório pericial ainda mostrou que os pilotos conversaram sobre as condições climáticas e a presença de gelo antes de perderem o controle da aeronave.
As investigações buscam entender se a formação do gelo afetou a velocidade e sustentação da aeronave.
Os advogados que representam os familiares das vítimas esperam a conclusão e encaminhamento do inquérito ao Ministério Público Federal (MPF). Uma denúncia poderá ser apresentada à Justiça após a conclusão do material.
Relembre o acidente
O voo 2283 da Voepass decolou de Cascavel, no Paraná, com destino ao Aeroporto de Guarulhos, mas caiu no bairro Jardim Florido, em Vinhedo, às 13h23 de 8 de agosto de 2024. A queda aconteceu após uma perda brusca de altitude de cerca de quatro mil metros em menos de dois minutos.
A aeronave atingiu o quintal de uma casa em um condomínio. Nenhum morador em solo ficou ferido. Foi o pior acidente aéreo no país desde o desastre com o voo da TAM, em 2007.
Relatórios emitidos pela Anac sobre a Voepass
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) indicou que a Voepass operou 2,6 mil voos com aeronaves cuja manutenção não foi realizada conforme os procedimentos técnicos exigidos, após o acidente aéreo ocorrido em Vinhedo.
Os dados foram apresentados durante a reunião em que a Anac oficializou a cassação em definitivo do Certificado de Operador Aéreo (COA) da Voepass. Com a decisão, a companhia ficou impedida de realizar o transporte de passageiros, sem possibilidade de recurso.
Anteriormente, a cassação já havia sido determinada, e a Voepass recorreu em primeira instância. O advogado da companhia, Gustavo Albuquerque, disse que a cassação representa, segundo ele, uma espécie de “pena perpétua” para a empresa.
Descumprimentos de procedimentos e falta de segurança
O diretor da Anac e relator do processo, Luiz Ricardo Nascimento, destacou que, durante a operação assistida, a Anac identificou uma série de descumprimentos de procedimentos. Esse padrão de falhas era recorrente na empresa.
Nesse contexto, a Anac destacou que alguns serviços de manutenção em aeronaves de alta relevância, se não forem realizados de maneira adequada, podem gerar problemas graves, como falhas e defeitos.
A Anac apurou outras 20 inspeções realizadas anteriormente em sete aeronaves. Foi constatado que as tarefas de manutenção não foram executadas corretamente entre os dias 15 de agosto de 2024 e 11 de março de 2025, resultando em 2.687 voos.
Segundo Nascimento, os voos foram realizados “com aviões em condições consideradas não aeronavegáveis”. A área técnica da Anac constatou uma relevante desorganização nos processos da empresa, entre eles, a sistemática de manutenção das aeronaves.
