Mais de 150 PMs serão investigados no Ceará

No Ceará, encapuzados invadem batalhões da Polícia Militar, levam carros e esvaziam pneus

PMs encapuzados esvaziaram os pneus das viaturas em volta do 18º Batalhão Antônio Bezerra

PMs encapuzados esvaziaram os pneus das viaturas em volta do 18º Batalhão Antônio Bezerra | /José Leomar/Diário do Nordeste/Folhapress

Três policiais militares foram presos e outros 150 serão investigados por participar de protestos por aumento salarial no Ceará. Em meio aos atos, dois batalhões foram atacados por homens encapuzados, que roubaram dez viaturas em uma das unidades e esvaziaram pneus dos carros em outra.

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Na segunda-feira (17), a Justiça havia determinado, a pedido do Ministério Público Estadual, que agentes de segurança poderiam sofrer sanções e até serem presos por promoverem movimentos grevistas ou manifestações no estado.

Em um dos ataques, no batalhão no bairro do Papicu, cerca de dez viaturas foram levadas. Em outro, na Barra do Ceará, os carros tiveram os pneus esvaziados. O governo vai investigar as ações, mas o secretário da Segurança, André Costa, disse nesta quarta-feira que podem ser policiais e até esposas de policiais envolvidos nessas ações.

“Esses encapuzados em vídeos se autointitulam policiais militares, e alguns deles já foram identificados e estamos trabalhando para identificar todos. E temos também mulheres que se apresentam como esposa de policiais militares, e elas também responderão por crimes, ninguém vai ficar fora. E vemos até algumas levando crianças aos quartéis, crianças que deveriam estar na escola.”

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Vídeos mostram mulheres e homens encapuzados esvaziando pneus de carros e motos – algumas usavam até máscaras que remetem à série La Casa de Papel e que é muito utilizada no Carnaval.

Estão com atividade paralisada os batalhões no bairro Antônio Bezerra, em Fortaleza, e na cidade de Caucaia, na região metropolitana, devido à presença na porta de manifestantes, a maioria mulheres de policiais – o governo informou que o policial que parar não terá o salário pago em março.

O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), pediu ao governo federal ajuda para o patrulhamento das cidades cearenses durante os protestos e paralisação de parte dos policiais militares.

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O contato foi feito, segundo ele, com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, e com o ministro-chefe da Secretaria de Governo, o general Luiz Eduardo Ramos.

Em janeiro de 2019, durante ações de facções criminosas por todo o estado, o governo federal enviou agentes da Força Nacional para auxiliar no policiamento. Temendo que a paralisação do militares ganhe força, o governo do Ceará enviou equipes da Polícia Civil para fazer o patrulhamento das ruas da capital e região metropolitana na madrugada e manhã desta quarta-feira.

Desde o início de 2020, o governo e associações dos policiais e bombeiros militares negociam uma reestruturação salarial. Nesta terça-feira a proposta final foi enviada para a Assembleia Legislativa, que vai discutir o projeto e votar, mas parte da categoria não ficou satisfeita com o que foi definido.