As declarações de Eduardo Bolsonaro em defesa de um novo AI-5 no País, caso a esquerda se radicalize, foram vistas por políticos de diferentes partidos e ministro do Supremo, como um retrocesso, uma evidência de intenções autoritárias e um risco à democracia. O AI-5 foi editado em 1968, no período mais duro da ditadura militar (1964-1985).
Filho do presidente Jair Bolsonaro e líder do PSL na Câmara, o deputado federal deu a declaração em entrevista à jornalista Leda Nagle realizada na segunda-feira (28) e publicada nesta quinta-feira no canal dela no YouTube.
“Se a esquerda radicalizar a esse ponto, a gente vai precisar ter uma resposta. E uma resposta pode ser via um novo AI-5, pode ser via uma legislação aprovada através de um plebiscito como ocorreu na Itália. Alguma resposta vai ter que ser dada”, afirmou o parlamentar, filho do presidente Jair Bolsonaro.
Mais tarde, em meio à repercussão de sua declaração, Eduardo usou uma rede social para reforçar a exaltação à ditadura militar.
“Se você está do lado da verdade, NÃO TENHAIS MEDO!”, escreveu, ao postar um vídeo no qual o pai, ainda deputado federal, enaltece o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, um dos principais símbolos da repressão durante a ditadura e condenado em segunda instância por tortura e sequestro no regime militar.
Nesta quinta-feira, uma das primeiras reações veio do presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo, que disse em uma rede social que “parece que não restam mais dúvidas sobre as intenções autoritárias de quem não suporta viver em uma sociedade livre”. O líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP) chamou a declaração de “desatino”. Já A deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) afirmou que a democracia vive um “grave risco”. “Agora fica claro que isso é tudo que essa gente sempre quis”, disse.
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) também reagiu as declarações e afirmou que a apologia à ditadura é passível de punição. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP) classificou a fala do filho do presidente como um “absurdo” e uma “inadmissível afronta à Constituição”.
O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), considerou uma “impropriedade” o comentário do deputado federal e disse: “tempos mais do que estranhos quando há essa tentativa de esgarçamento da democracia. Ventos que querem levar ares
democráticos”.
O presidente Jair Bolsonaro (PSL) desautorizou o filho e disse que Eduardo ‘está sonhando’ sobre AI-5.
(GSP, FP e EC)