Por que o sarampo voltou? Entenda as causas e os riscos da doença

Secretaria Estadual da Saúde confirma 23 casos no estado; infectologista explica risco de epidemia, alta transmissibilidade pelo ar e necessidade de vacina

Chico Bezerra/Prefeitura Municipal do Jaboatão dos Guararapes

Foto: Chico Bezerra/Prefeitura Municipal do Jaboatão dos Guararapes

O aumento do número de casos confirmados de sarampo em São Paulo colocou os órgãos de saúde pública em alerta. Segundo dados da Secretaria Estadual da Saúde (SES-SP), o estado contabiliza 23 infecções, com confirmações concentradas na capital paulista. Do total de diagnósticos, 14 pacientes não estavam vacinados ou apresentavam o esquema vacinal incompleto. Especialistas temem uma epidemia da doença.

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A queda na cobertura vacinal, que em 2026 registrou 77,5% para a primeira dose e apenas 65,5% para a segunda no estado, é o fator central para o reaparecimento da doença. Em entrevista, a médica infectologista e gerente do Serviço de Controle de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (SCIRAS) do Hospital e Maternidade Sepaco, Ariane Melare, analisou o panorama epidemiológico e alertou para os perigos do contágio.

“O sarampo foi considerado eliminado do Brasil em 2016. No entanto, a partir de 2018, houve retorno da circulação do vírus, associado ao fluxo migratório de viagens e à redução das coberturas vacinais. Em 2019, o Brasil perdeu a certificação de erradicação”, relata Ariane. 

“Dada a redução das coberturas vacinais, há grande risco de nova epidemia, o que vem sendo demonstrado desde junho deste ano, com o aumento progressivo no número de casos confirmados de sarampo em São Paulo”, explicou.

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Como funciona o contágio e a transmissão do sarampo?

Diferente de outras infecções respiratórias, o sarampo se destaca por sua velocidade de disseminação. Segundo a especialista do Hospital Sepaco, a transmissão já começa antes do surgimento das manchas vermelhas na pele (exantema), que costumam ser o sinal mais visível da infecção.

“O sarampo é uma das doenças infecciosas mais transmissíveis que existem. A transmissão ocorre principalmente por gotículas respiratórias e aerossóis eliminados ao tossir, espirrar ou falar. O vírus pode permanecer no ambiente por algumas horas, especialmente em locais fechados”, explica a infectologista.

Quem precisa se vacinar agora?

Por conta do cenário atual, as autoridades municipais e estaduais recomendam que moradores da capital paulista, de Guarulhos e de São Bernardo do Campo entre 6 meses e 59 anos procurem uma unidade de saúde.

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A médica Ariane Melare reforça que a dose de reforço é indicada mesmo para quem já tem o esquema completo antigo: “Levando em consideração o aumento do número de casos, na cidade de São Paulo há a recomendação de que todo indivíduo, entre 6 meses e 59 anos, receba uma dose de reforço para a doença.”

Para quem perdeu a carteira de vacinação ou tem dúvidas sobre doses anteriores, a orientação é não hesitar.

“Quando não há comprovação de vacinação, geralmente considera-se a pessoa como não vacinada, e a recomendação é atualizar o esquema conforme a idade e situação individual, caso não haja alguma contraindicação médica”, orienta Ariane.

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A especialista pontua ainda que, embora a doença gere imunidade duradoura, muitas pessoas confundem o sarampo com outras infecções de pele da infância, tornando indispensável a checagem do histórico vacinal.

Quais os grupos sob maior risco?

Crianças menores de 5 anos (em especial as menores de 1 ano), gestantes, pessoas imunocomprometidas, adultos não imunizados e indivíduos com deficiência de vitamina A estão no grupo de maior vulnerabilidade para complicações graves.

“A principal forma de prevenção é a vacinação, a qual tem ação individual, protegendo o indivíduo vacinado. E tem ação coletiva, uma vez que, se a maioria da população estiver vacinada, não há circulação do vírus”, conclui a médica.

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Metrô de São Paulo promoverá iniciativas de imunização

Para conter a transmissão e facilitar o acesso da população, o Metrô de SP, em parceria com a Secretaria Municipal da Saúde (SMS), disponibiliza postos de vacinação contra sarampo, caxumba e rubéola (tríplice viral) em cinco estações:

  • Estação Tucuruvi: atendimento de 10 a 14/08 e de 17 a 21/08, das 10h às 16h.
  • Estação Corinthians-Itaquera: atendimento nos dias 17, 19 e 21/08, das 10h às 20h.
  • Estação São Mateus: atendimento nos dias 17, 19 e 21/08, das 10h às 20h.
  • Estação Vila Prudente: atendimento de 17 a 21/08, das 10h às 16h.
  • Estação Vila Matilde: atendimento nos dias 27 e 28/08, das 10h às 16h.

A vacina também continua disponível gratuitamente em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do estado. Não é obrigatório apresentar a carteirinha no momento da aplicação, embora o documento ajude na conferência do histórico pelas equipes de saúde.