Presidente do PL defende Nikolas Ferreira por fala transfóbica

Valdemar disse que deputado deve 'ser respeitado' por representar um segmento da sociedade; homofobia foi equiparado ao crime de racismo em 2019

Deputado federal Nikolas Ferreira

Deputado bolsonarista Nikolas Ferreira (PL-MG) colocou uma peruca e fez um discurso transfóbico no plenário da Câmara | Reprodução

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, saiu em defesa do deputado bolsonarista Nikolas Ferreira (PL-MG) após o parlamentar colocar uma peruca e fazer um discurso transfóbico no plenário da Câmara na quarta-feira (8), em ataque às mulheres trans no Dia Internacional da Mulher.

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Em publicação em perfil nas redes sociais nesta sexta (10), Valdemar afirmou que Nikolas tem o apoio da direção nacional da legenda e disse que “a liberdade de expressão e suas prerrogativas parlamentares serão sempre defendidas” pelo partido.

“A liberdade de expressão e suas prerrogativas parlamentares serão defendidas pelo nosso partido sempre que ele estiver exercendo seu mandato, manifestando sua opinião. Conte conosco, Nikolas! O PL estará sempre contigo”, escreveu.

Valdemar também disse que o parlamentar representa um segmento da sociedade e deve “ser respeitado por isso”.

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“É por isso que o deputado Nikolas tem nosso apoio e da direção nacional do PL. Ele ganhou mais de 46 mil seguidores nas últimas horas porque é franco. Ele fala em nome de um segmento da sociedade e deve ser respeitado por isso”, disse.

Até a tarde desta sexta, o deputado bolsonarista tinha 2,1 milhões de seguidores no Twitter, 6,6 milhões no Instagram e 1,3 milhão no Facebook.

O presidente da sigla citou ainda o fato de Nikolas ter sido o deputado federal mais votado do País em 2022 e disse que isso ocorreu por “várias razões”. “É uma pessoa de qualidades, que tem princípios, um jovem que defende suas convicções com paixão e sinceridade. Ele representa o eleitor que acredita nele.”

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No discurso transfóbico no plenário da Câmara, o deputado disse que mulheres têm perdido espaço para “homens que se sentem mulheres”. “Eles estão querendo colocar uma imposição de uma realidade que não é a realidade.”

Ele disse ainda que as mulheres têm perdido espaço para mulheres trans nos esportes e em concursos de beleza. “É uma pessoa que simplesmente se sente algo e impõe para você.”

As falas do parlamentar foram criticadas por deputados ainda durante a sessão. O próprio presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), fez uma reprimenda pública contra o parlamentar, afirmou que o plenário da Casa não é “palco para exibicionismo e muito menos discursos preconceituosos” e se solidarizou com quem pudesse ter se sentido ofendido.

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Além disso, um pedido de cassação do mandato de Nikolas foi protocolado no Conselho de Ética da Câmara por PSOL, PSB, PDT, Rede, PT e PC do B. O bolsonarista também se tornou alvo de duas notícias-crimes enviadas ao STF (Supremo Tribunal Federal).

Em 2019, os crimes de transfobia e homofobia foram equiparados ao crime de racismo pelo Supremo.

Como a Folha mostrou, no entanto, apesar da articulação de partidos políticos para cassar Nikolas, líderes partidários afirmam que a perda de mandato é improvável. Eles dizem que o parlamentar deve receber uma advertência, censura ou, no máximo, suspensão por sua fala.

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Na quinta (9), Nikolas foi às redes se defender e afirmou que não há transfobia em sua fala. “Defendi o direito das mulheres de não perderem seu espaço nos esportes para trans -visto a diferença biológica- e de não ter um homem no banheiro feminino. Não há transfobia em minha fala. Elucidei o exemplo com uma peruca (chocante). O que passar disso é histeria e narrativa.”