Psicóloga cria projeto durante pandemia e ajuda mulheres a achar propósito de vida

Projeto era um sonho de Luana há meses e saiu da gaveta durante a pandemia do coronavírus; resultado tem sido positivo

Livro deixado por seu avô representou o ponto de partida para projeto.

Livro deixado por seu avô representou o ponto de partida para projeto. | Nair Bueno/Diário do Litoral

O início da pandemia marcou o começo de uma nova realidade para inúmeras pessoas em toda a Baixada Santista, mas também marcou o pontapé inicial para que uma psicóloga de São Vicente pudesse tocar um projeto que não apenas a ajudou a realizar um sonho, como também está auxiliando outras mulheres a se reencontrar durante o isolamento social e descobrir um propósito de vida.

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A ideia de tocar o ‘Projeto Cíclicas’ se iniciou após a psicóloga Luana Almeida ter recebido um último presente de seu avô. A herança se transformou em matéria-prima para que ela tirasse a iniciativa da gaveta e mudasse a sua vida e também a de outras mulheres durante estes tempos difíceis e inéditos para toda humanidade.

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“O projeto começou depois de uma ideia que tive na faculdade quando herdei do meu avô, que faleceu, um livro chamado ‘As Mulheres que Correm com os Lobos’ e esse livro foi um divisor de águas na minha vida porque me abriu a cabeça, a mente, para um universo feminino e das mulheres e do potencial que há. Foi um livro que me curou e depois eu acabei discutindo com amigas, participando de rodas de leitura ainda durante a faculdade”, afirma.

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Uma vez que concluiu os estudos e passou a trabalhar atendendo pacientes, ela percebeu, entretanto, que era mais procurada por outras mulheres para atendimento. Apesar de não entender o motivo da procura, Luana percebeu que havia encontrado seu objetivo não só dentro da profissão, como também fora dela.

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“Quando me formei e comecei a fazer atendimento clínico percebi que eu era sempre procurada por mulheres e eu atendia só mulheres e no começo foi estranho porque os psicólogos geralmente limitam faixas de idade, como, por exemplo, ‘eu atendo crianças’ ou ‘eu atendo adultos e idosos’ ou ‘atendo adolescentes’, mas eu sentia que meu nicho eram as mulheres, mas eu achava curioso porque nenhum profissional atendia apenas mulheres. Eu entendi que meu lugar, meu sentido de vida, é dar sentido de vida para outras mulheres”, explica.

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A ideia do nome ‘Projeto Cíclicas’ veio de uma inspiração que pode ser considerada cósmica, embora seja mais centrada na figura do primeiro satélite da Terra, e que ajudou até a mãe de Luana a batizá-la: a lua.

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“Cíclicas veio muito porque sinto que as mulheres têm uma relação com a lua e como ela tem fases, ciclos, ela aparece cada vez de uma forma e volta e vejo como as próprias mulheres tem essa ‘ciclicidade’, esse emocional que muitas vezes é expansivo, está para fora, e outras vezes se contrai. É uma capacidade de estar em certo momento mais dispostas para o trabalho, ou para o relacionamento, para cuidar dos outros, para cuidar de si. Muitas vezes vejo que as mulheres não entendem o quanto isso é um potencial e não um defeito”, explica.

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O atendimento de Luana é feito com o objetivo de ‘desembaralhar’ os sentimentos das mulheres que a procuram e auxiliá-las a encontrar o caminho mais apropriado não apenas neste momento de pandemia, mas também após ela terminar.

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“É um espaço de muito apoio, onde ela pode falar tudo e acho que as pessoas precisam muito disso e tento ao máximo ser acessível sem me colocar como dona do saber, mas como igual e tentando compreender o sentimento daquela mulher para que quando eu a compreenda ela também se compreenda melhor. Minha intenção não é ditar regras ou dizer às mulheres o que é certo ou errado. Eu quero mais focar no potencial das pessoas, das mulheres e não colocar ninguém contra ninguém”.

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“A psicologia é muito focada na doença, mas eu quero com meu trabalho é focar na saúde, no potencial de vida delas e no que elas podem se tornar para ser melhor para elas. Acho que a psicoeducação é isso, uma orientação psicológica porque vivemos em um mundo que nossa educação é sempre vinculada a algo racional, como português e matemática e acho que somos muito pouco educado para entender nossas próprias emoções”, explica.

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Para quem quiser conhecer o trabalho da Luana ou até mesmo se consultar, basta acessar o perfil @projetociclicas no Instagram e enviar uma mensagem por meio do próprio aplicativo.