Quem era ‘Lili’, ciclista que morreu durante corrida de 555 km entre SP e MG

Eliana sofreu uma queda após um possível mal súbito enquanto pedalava

Mineira de Belo Horizonte, Eliana Tamietti era referência em provas de ultradistância e gravel

Mineira de Belo Horizonte, Eliana Tamietti era referência em provas de ultradistância e gravel | Reprodução/Redes Sociais

Eliana Tamietti, conhecida como “Lili” no universo do ciclismo de ultradistância, morreu aos 48 anos durante uma competição realizada na madrugada de sábado (9/5), na região de Piranguçu, no Sul de Minas Gerais. A atleta participava do Bikingman Brasil, prova com percurso de 555 quilômetros entre cidades de São Paulo e Minas Gerais.

Continua após a publicidade

Segundo a organização, Eliana sofreu uma queda após um possível mal súbito enquanto pedalava em um trecho de estrada de terra próximo à Serra da Mantiqueira. O socorro foi acionado rapidamente, mas a morte foi constatada ainda no local.

A Polícia Civil de Minas Gerais informou que realizou perícia e aguarda os exames de necropsia para confirmar a causa da morte. Até o momento, as circunstâncias seguem inconclusivas.

Quem era Eliana Tamietti, ciclista experiente em ultradistância

Mineira de Belo Horizonte, Eliana Tamietti era referência em provas de ultradistância e gravel, modalidade disputada em bicicletas adaptadas para asfalto e terra.

Continua após a publicidade

A atleta já havia participado de outras edições do Bikingman Brasil em 2024, 2025 e 2026. No ano passado, conquistou o terceiro lugar entre as mulheres na edição Mantiqueira, após completar 500 quilômetros e mais de 9 mil metros de altimetria acumulada em mais de 42 horas de prova.

Em 2025, ela também concluiu a Across Andes, sua primeira competição internacional de ultradistância, enfrentando 857 quilômetros e mais de 12 mil metros de altimetria.

Além das provas extremas, Eliana acumulava conquistas importantes no ciclismo mineiro, incluindo o vice-campeonato estadual de contra-relógio individual em 2023 e o bicampeonato da prova Caminhos de Rosa, nos anos de 2023 e 2024.

Continua após a publicidade

Em um depoimento divulgado anteriormente por um patrocinador, a atleta resumiu sua relação com o esporte.

“Uma pessoa que é capaz de pedalar 300 km sem parar tem uma mente transformada”, afirmou.

O que se sabe sobre o acidente durante a prova

De acordo com o diretor da competição, Vinícius Martins, Eliana pedalava acompanhada de outros três ciclistas antes do acidente. Após uma breve parada do grupo, ela seguiu sozinha por alguns segundos e sofreu a queda.

Dados de rastreamento por GPS apontam que a atleta havia passado pelo ponto mais alto da prova, a 1.812 metros de altitude, pouco antes do acidente. O último deslocamento registrado ocorreu por volta das 4h27, horário que coincide com o acionamento do socorro.

Continua após a publicidade

Equipes do Samu, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e Polícia Civil participaram do atendimento. Segundo a organização, não foram identificadas falhas mecânicas na bicicleta nem problemas na estrada.

Mesmo após a morte da atleta, o evento seguiu normalmente. A organização afirmou que a decisão foi tomada em conjunto com a família de Eliana para “honrar a vontade da Lili em percorrer os caminhos da Mantiqueira”.

O sepultamento de Eliana Tamietti aconteceu neste domingo (10/5), em Contagem.