O Governo de São Paulo intensificou as ações de segurança nas praias do estado neste verão diante do aumento no número de salvamentos por afogamento.
Em 2025, 4,1 mil pessoas foram resgatadas no litoral paulista, o maior volume desde o início da série histórica, em 1995.
Em relação a 2024, quando foram registrados 3.735 salvamentos, o crescimento foi de 10,4%.
Para atender ao período de maior fluxo de turistas, o estado mantém a Operação Verão Integrada, uma iniciativa intersetorial que reúne ações de segurança, saúde, mobilidade e proteção ambiental no litoral.
Entre as medidas está o reforço no efetivo de guarda-vidas distribuídos ao longo das praias paulistas.
O trabalho conjunto do Corpo de Bombeiros e da Aviação da Polícia Militar contribuiu para a redução no número de mortes nas praias.
Entre 2024 e 2025, os óbitos caíram de 118 para 82, uma diminuição de 25%. Para a temporada de verão, a Secretaria da Segurança Pública contratou 500 guarda-vidas temporários.
A rotina das equipes de salvamento começa nas primeiras horas do dia, com o deslocamento dos profissionais para os postos fixos nas praias e para os “cadeirões”, estruturas posicionadas em pontos estratégicos próximos ao mar.
O planejamento, no entanto, vai além da alta temporada. Ao longo de todo o ano, o Corpo de Bombeiros prepara a Operação Praia Segura, que integra a Operação Verão Integrada.
Esse esquema envolve a definição de equipes, equipamentos e estratégias para atuação durante os meses de maior movimento no litoral.
Outra frente do trabalho é o mapeamento de áreas consideradas de risco. Nesses pontos, são instaladas placas de alerta para orientar os banhistas sobre perigos como as correntes de retorno, que podem arrastar pessoas para longe da faixa de areia.
Monitoramento aéreo
Além da atuação direta na areia, as ações contam com o apoio aéreo do helicóptero Águia, da Polícia Militar, responsável pelo monitoramento preventivo das praias.
Diariamente, agentes da Aviação da PM participam de reuniões de briefing com equipes do Corpo de Bombeiros para alinhar as estratégias do dia.
Após o planejamento, equipes conjuntas embarcam no Águia para voos de patrulhamento ao longo da orla paulista.
A base operacional fica no Guarujá, com alcance em todo o litoral. Em um dos trechos, o helicóptero percorre o trajeto entre Bertioga e Santos em cerca de uma hora.
Segundo o coronel Ronaldo Barreto, comandante da Aviação da Polícia Militar, a observação aérea permite identificar riscos antes que ocorram acidentes.
“Com a presença de guarda-vidas a bordo, é possível reconhecer situações perigosas e orientar as equipes que estão na areia”, afirmou.
Atuação integrada
O Centro de Operações do Corpo de Bombeiros (Cobom) também realiza o monitoramento das praias por meio de câmeras, formando uma rede integrada com os guarda-vidas na areia e as equipes aéreas. A comunicação entre os agentes é feita por rádio.
Essa integração permite ações preventivas, reduzindo a necessidade de resgates em situações mais graves. De acordo com o coronel Valdizir Nascimento, comandante do Grupamento de Bombeiros Marítimos, o trabalho conjunto entre equipes terrestres e aéreas amplia a rapidez no atendimento às ocorrências.
O Corpo de Bombeiros disponibiliza ainda um painel digital que informa, em tempo real, quais praias contam com a presença de guarda-vidas, orientando a população sobre os locais mais seguros para banho.
Além do monitoramento aéreo e da atuação na areia, as equipes utilizam embarcações, botes, motos aquáticas e quadriciclos.
Em ocorrências de maior complexidade, o resgate pode envolver ações simultâneas por terra, mar e áreas elevadas, com o uso de técnicas específicas.
