Sistema Cantareira entra em faixa de alerta e opera com 38,3% da capacidade em SP

Atualização foi feita na terça-feira (14/7), permanecendo na Faixa 3 – Alerta, condição em vigor desde 1º de julho

Sistema registrou perda de 0,13 ponto percentual em relação ao dia anterior/Danilo Verpa/Folhapress

O Sistema Cantareira, o principal manancial de abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo, continua em queda e opera com 38,34% do volume. A atualização foi feita na quinta-feira (16/7), permanecendo na Faixa 3 – Alerta, condição em vigor desde 1º de julho por determinação da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e da SP Águas.

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Responsável pelo abastecimento de cerca de 6,5 milhões de pessoas nas zonas norte e central e em partes das zonas leste e oeste da Capital, além de municípios da Grande São Paulo, o sistema registrou perda de 0,17 ponto percentual em relação ao dia anterior. Isso representa aproximadamente 128 milhões de litros de água, volume equivalente a 6.383 caminhões-pipa de 20 mil litros.

O Cantareira é formado pelos reservatórios Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro, além da represa Águas Claras, e possui capacidade útil de aproximadamente 982 bilhões de litros. Atualmente, estão armazenados 665,6 milhões de metros cúbicos de água.

Apesar da queda, o sistema segue em situação considerada normal em relação ao uso da reserva técnica, que não está sendo utilizada. O chamado Índice 3, que desconta o volume morto e é usado para indicar quando a reserva técnica entra em operação, está em 38,5%, permanecendo positivo.

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Operação reduzida

Desde o início de julho, o Cantareira passou a operar na Faixa de Alerta após encerrar junho com 39,87% do volume útil, abaixo do limite de 40% previsto na Resolução Conjunta nº 925/2017.

Com isso, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) passou a poder captar até 27 metros cúbicos de água por segundo (m³/s) diretamente do sistema, comparado com o limite de 33 m³/s permitido em condições normais.

A companhia ainda pode complementar a oferta com água proveniente da transposição da Usina Hidrelétrica Jaguari, respeitando o limite total autorizado.

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Segundo a ANA e a SP Águas, a mudança faz parte das regras de operação criadas após a crise hídrica de 2014 e busca preservar os reservatórios durante o período de estiagem, que vai de junho a novembro.

As agências também reforçam a necessidade de medidas de gestão da demanda, redução de perdas e uso racional da água pela população.

Reservatório perde volume

Os dados mais recentes mostram que a tendência de queda continua. Confira:

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  • 7 dias, o sistema perdeu 0,64 ponto percentual, equivalente a 628 milhões de litros;
  • 30 dias, a redução foi de 0,88 ponto percentual, ou 864 milhões de litros;
  • 90 dias, a perda acumulada chega a 5,01 pontos percentuais, cerca de 4,92 bilhões de litros.

Entre os últimos 30 dias, o nível do reservatório subiu em apenas sete ocasiões e caiu em 23 dias, refletindo a predominância da estiagem.

A pluviometria também permanece abaixo da média para julho. Até esta terça-feira, o acumulado no mês era de 8,35 milímetros, enquanto a média histórica para o período é de 42,37 milímetros.

Em comparação com o mesmo período de 2025, o Cantareira apresenta um cenário menos favorável.

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O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) identificou que, apesar de junho ter registrado chuva acima da média histórica em termos percentuais, o volume absoluto foi insuficiente para elevar a vazão dos rios que alimentam os reservatórios.

Segundo o órgão, o Sistema Cantareira apresenta atualmente condição de seca hidrológica entre fraca e moderada, considerando os períodos de seis e doze meses.

Abastecimento segue garantido

Apesar da redução do nível dos reservatórios, o Governo de São Paulo e a Sabesp afirmam que não há previsão de racionamento.

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De acordo com o governo estadual, o estado monitora continuamente as condições hidrológicas e opera o Sistema Integrado Metropolitano (SIM) com base em projeções e curvas de contingência.

A gestão também destaca investimentos superiores a R$ 25 bilhões em obras voltadas à segurança hídrica, incluindo ampliação da oferta de água, interligações entre sistemas e modernização do monitoramento.

A Sabesp afirma que as retiradas permanecem dentro dos limites estabelecidos pelas outorgas e que as projeções operacionais indicam segurança para o abastecimento ao longo de 2026, mesmo em diferentes cenários hidrológicos.

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Embora moradores relatem episódios pontuais de falta d’água em alguns bairros da capital, especialmente durante períodos de maior consumo, não há anúncio oficial de rodízio ou racionamento.

Como funciona o Sistema Cantareira

Maior sistema produtor de água da Região Metropolitana de São Paulo, o Cantareira abastece cerca de metade da população da Grande São Paulo e aproximadamente 6,5 milhões de pessoas, além de atender municípios das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ).

Sua capacidade de tratamento chega a 33 mil litros de água por segundo, destinados à capital paulista e cidades como Franco da Rocha, Francisco Morato, Caieiras, Osasco, Carapicuíba e São Caetano do Sul, além de parte de Guarulhos, Barueri, Taboão da Serra e Santo André.

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Desde 2018, o sistema conta com a interligação entre a represa da Usina Hidrelétrica Jaguari, na bacia do rio Paraíba do Sul, e a represa Atibainha, estrutura criada para ampliar a segurança hídrica da região.

Atualmente, o volume total armazenado no sistema é de 1,269 trilhão de litros, dos quais 287,5 bilhões correspondem à reserva técnica (volume morto), que permanece preservada e não está sendo utilizada.

Cinco formas de economizar água

Mesmo sem previsão de racionamento, especialistas e os órgãos responsáveis pela gestão do Sistema Cantareira recomendam o uso consciente da água para ajudar a preservar os reservatórios durante o período de estiagem.

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Veja algumas medidas que podem ser adotadas no dia a dia:

  • Feche a torneira ao escovar os dentes, fazer a barba ou ensaboar a louça. O hábito evita o desperdício de dezenas de litros de água diariamente.
  • Tome banhos mais curtos, preferencialmente de até cinco minutos, fechando o chuveiro enquanto se ensaboa.
  • Conserte vazamentos em torneiras, descargas e tubulações. Mesmo pequenos gotejamentos podem desperdiçar centenas de litros por mês.
  • Reaproveite água sempre que possível, como a da máquina de lavar roupas, para limpar quintais, calçadas ou lavar o carro.
  • Evite usar mangueira para limpar calçadas. Prefira vassoura e balde, reduzindo significativamente o consumo de água.