O Sistema Cantareira, o principal manancial de abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo, continua em queda e opera com 38,34% do volume. A atualização foi feita na quinta-feira (16/7), permanecendo na Faixa 3 – Alerta, condição em vigor desde 1º de julho por determinação da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e da SP Águas.
Responsável pelo abastecimento de cerca de 6,5 milhões de pessoas nas zonas norte e central e em partes das zonas leste e oeste da Capital, além de municípios da Grande São Paulo, o sistema registrou perda de 0,17 ponto percentual em relação ao dia anterior. Isso representa aproximadamente 128 milhões de litros de água, volume equivalente a 6.383 caminhões-pipa de 20 mil litros.
O Cantareira é formado pelos reservatórios Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro, além da represa Águas Claras, e possui capacidade útil de aproximadamente 982 bilhões de litros. Atualmente, estão armazenados 665,6 milhões de metros cúbicos de água.
Apesar da queda, o sistema segue em situação considerada normal em relação ao uso da reserva técnica, que não está sendo utilizada. O chamado Índice 3, que desconta o volume morto e é usado para indicar quando a reserva técnica entra em operação, está em 38,5%, permanecendo positivo.
Operação reduzida

Desde o início de julho, o Cantareira passou a operar na Faixa de Alerta após encerrar junho com 39,87% do volume útil, abaixo do limite de 40% previsto na Resolução Conjunta nº 925/2017.
Com isso, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) passou a poder captar até 27 metros cúbicos de água por segundo (m³/s) diretamente do sistema, comparado com o limite de 33 m³/s permitido em condições normais.
A companhia ainda pode complementar a oferta com água proveniente da transposição da Usina Hidrelétrica Jaguari, respeitando o limite total autorizado.
Segundo a ANA e a SP Águas, a mudança faz parte das regras de operação criadas após a crise hídrica de 2014 e busca preservar os reservatórios durante o período de estiagem, que vai de junho a novembro.
As agências também reforçam a necessidade de medidas de gestão da demanda, redução de perdas e uso racional da água pela população.
Reservatório perde volume
Os dados mais recentes mostram que a tendência de queda continua. Confira:
- 7 dias, o sistema perdeu 0,64 ponto percentual, equivalente a 628 milhões de litros;
- 30 dias, a redução foi de 0,88 ponto percentual, ou 864 milhões de litros;
- 90 dias, a perda acumulada chega a 5,01 pontos percentuais, cerca de 4,92 bilhões de litros.
Entre os últimos 30 dias, o nível do reservatório subiu em apenas sete ocasiões e caiu em 23 dias, refletindo a predominância da estiagem.
A pluviometria também permanece abaixo da média para julho. Até esta terça-feira, o acumulado no mês era de 8,35 milímetros, enquanto a média histórica para o período é de 42,37 milímetros.
Em comparação com o mesmo período de 2025, o Cantareira apresenta um cenário menos favorável.
O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) identificou que, apesar de junho ter registrado chuva acima da média histórica em termos percentuais, o volume absoluto foi insuficiente para elevar a vazão dos rios que alimentam os reservatórios.
Segundo o órgão, o Sistema Cantareira apresenta atualmente condição de seca hidrológica entre fraca e moderada, considerando os períodos de seis e doze meses.
Abastecimento segue garantido

Apesar da redução do nível dos reservatórios, o Governo de São Paulo e a Sabesp afirmam que não há previsão de racionamento.
De acordo com o governo estadual, o estado monitora continuamente as condições hidrológicas e opera o Sistema Integrado Metropolitano (SIM) com base em projeções e curvas de contingência.
A gestão também destaca investimentos superiores a R$ 25 bilhões em obras voltadas à segurança hídrica, incluindo ampliação da oferta de água, interligações entre sistemas e modernização do monitoramento.
A Sabesp afirma que as retiradas permanecem dentro dos limites estabelecidos pelas outorgas e que as projeções operacionais indicam segurança para o abastecimento ao longo de 2026, mesmo em diferentes cenários hidrológicos.
Embora moradores relatem episódios pontuais de falta d’água em alguns bairros da capital, especialmente durante períodos de maior consumo, não há anúncio oficial de rodízio ou racionamento.
Como funciona o Sistema Cantareira
Maior sistema produtor de água da Região Metropolitana de São Paulo, o Cantareira abastece cerca de metade da população da Grande São Paulo e aproximadamente 6,5 milhões de pessoas, além de atender municípios das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ).
Sua capacidade de tratamento chega a 33 mil litros de água por segundo, destinados à capital paulista e cidades como Franco da Rocha, Francisco Morato, Caieiras, Osasco, Carapicuíba e São Caetano do Sul, além de parte de Guarulhos, Barueri, Taboão da Serra e Santo André.
Desde 2018, o sistema conta com a interligação entre a represa da Usina Hidrelétrica Jaguari, na bacia do rio Paraíba do Sul, e a represa Atibainha, estrutura criada para ampliar a segurança hídrica da região.
Atualmente, o volume total armazenado no sistema é de 1,269 trilhão de litros, dos quais 287,5 bilhões correspondem à reserva técnica (volume morto), que permanece preservada e não está sendo utilizada.
Cinco formas de economizar água
Mesmo sem previsão de racionamento, especialistas e os órgãos responsáveis pela gestão do Sistema Cantareira recomendam o uso consciente da água para ajudar a preservar os reservatórios durante o período de estiagem.
Veja algumas medidas que podem ser adotadas no dia a dia:
- Feche a torneira ao escovar os dentes, fazer a barba ou ensaboar a louça. O hábito evita o desperdício de dezenas de litros de água diariamente.
- Tome banhos mais curtos, preferencialmente de até cinco minutos, fechando o chuveiro enquanto se ensaboa.
- Conserte vazamentos em torneiras, descargas e tubulações. Mesmo pequenos gotejamentos podem desperdiçar centenas de litros por mês.
- Reaproveite água sempre que possível, como a da máquina de lavar roupas, para limpar quintais, calçadas ou lavar o carro.
- Evite usar mangueira para limpar calçadas. Prefira vassoura e balde, reduzindo significativamente o consumo de água.
