STF revoga liminar de Barroso e restringe atuação de enfermeiros em aborto legal

Corte entendeu que não havia urgência para autorizar atuação de enfermeiros em casos de aborto legal

Liminar havia sido concedida por Barroso na última sexta-feira (17/10), seu último dia como ministro da Corte

Liminar havia sido concedida por Barroso na última sexta-feira (17/10), seu último dia como ministro da Corte | Antônio Augusto/STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria nesta segunda-feira (20/10) para revogar a liminar do ex-ministro Luís Roberto Barroso que autorizava enfermeiros e técnicos de enfermagem a realizar abortos legais no sistema público de saúde. O placar parcial é de 8 votos a 1 contra a medida.

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A liminar havia sido concedida por Barroso na última sexta-feira (17/10), seu último dia como ministro da Corte, antes da aposentadoria antecipada no sábado (18/10).

A decisão permitia que profissionais de enfermagem atuassem em procedimentos de aborto previstos em lei, como em casos de estupro, risco à vida da gestante ou anencefalia fetal.

A medida, no entanto, foi submetida ao plenário virtual do STF, após a saída de Barroso da Corte, onde os ministros passaram a votar se referendariam ou não a decisão. A maioria seguiu o voto do ministro Gilmar Mendes, que argumentou que não havia urgência suficiente para justificar a concessão da liminar.

“A questão possui inegável relevância jurídica. No entanto, com o devido respeito, não vejo preenchidos os requisitos que autorizam uma medida cautelar”, afirmou Mendes em seu voto.

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Além de Mendes, votaram contra a liminar os ministros Cristiano Zanin, Flávio Dino, Nunes Marques, André Mendonça, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Apenas o ministro Edson Fachin votou a favor da autorização.

Os votos dos ministros Cármen Lúcia e Luiz Fux ainda não haviam sido registrados até a publicação deste texto. A votação deve ser concluída até sexta-feira (24/10).

A decisão de Barroso havia sido tomada em resposta a ações de entidades que denunciaram a precariedade no atendimento a mulheres que buscam o aborto legal no SUS. O ex-ministro defendeu que a atuação de enfermeiros fosse restrita ao aborto medicamentoso, nos estágios iniciais da gestação, e compatível com o nível de formação desses profissionais.

Pouco antes de se aposentar, Barroso ainda votou a favor da descriminalização do aborto até a 12ª semana de gravidez. O julgamento desse tema, no entanto, foi interrompido após pedido de destaque do ministro Gilmar Mendes e ainda não tem data para ser retomado.