O Sistema Único de Saúde (SUS) incorporou nesta segunda-feira (10/8) o teste imunoquímico fecal, conhecido como FIT, para o rastreamento do câncer colorretal em pessoas de 50 a 75 anos que não apresentam sintomas.
A decisão havia sido anunciada pelo Ministério da Saúde em maio e foi publicada nesta segunda-feira no Diário Oficial da União.
A partir da publicação, o governo tem prazo de até 180 dias para efetivar a oferta do exame na rede pública. O FIT é usado para identificar pequenas quantidades de sangue nas fezes que não podem ser percebidas a olho nu.
Um resultado positivo pode indicar a presença de pólipos, lesões que podem anteceder o câncer ou o próprio tumor, mas também pode estar relacionado a outras causas.
Por isso, o teste funciona como uma etapa inicial do rastreamento. Quando há resultado positivo, o paciente deve passar por avaliação médica e pode ser encaminhado para uma colonoscopia, exame utilizado para investigar a origem do sangramento e identificar ou retirar lesões.
Como funciona o teste FIT
O exame é feito a partir de uma amostra de fezes coletada pelo próprio paciente. O FIT identifica a hemoglobina humana, proteína presente no sangue, e por isso apresenta maior especificidade para detectar sangue de origem humana nas fezes.
Outra diferença em relação ao método químico tradicional de pesquisa de sangue oculto é que o FIT não exige restrições alimentares antes da coleta.
Na prática, o paciente recebe um kit para realizar a coleta em casa e depois entrega o material na unidade de saúde indicada.
Quem deve fazer o exame
A incorporação do FIT ao SUS é voltada para pessoas entre 50 e 75 anos que não apresentam sintomas relacionados ao câncer colorretal. O rastreamento é diferente da investigação de pacientes que já apresentam sinais de alerta.
Pessoas com sangue visível nas fezes, alterações importantes no funcionamento do intestino, perda de peso sem explicação ou outros sintomas devem procurar atendimento médico para avaliação individualizada.
Nesses casos, o profissional de saúde pode indicar exames específicos, incluindo a colonoscopia.
FIT deve reduzir necessidade de colonoscopias
A estratégia permite utilizar o teste como uma primeira etapa antes da realização da colonoscopia. Como o exame é mais simples e pode ser realizado por meio de uma coleta de fezes em casa, a expectativa é identificar quais pacientes precisam de uma investigação mais detalhada.
A colonoscopia continua sendo necessária nos casos em que houver indicação médica, especialmente quando o FIT apresentar resultado positivo.
Oferta ainda depende de implementação
Apesar da incorporação ao SUS, o teste ainda não estará disponível imediatamente em toda a rede pública. O Ministério da Saúde tem até 180 dias para efetivar a oferta do FIT no sistema público de saúde.
A implementação deverá envolver a organização da coleta, análise dos exames e encaminhamento dos pacientes que apresentarem resultados positivos para investigação complementar.
A ampliação do rastreamento também depende da capacidade da rede pública de realizar colonoscopias para os pacientes encaminhados após o teste.
