Suspeito de ligação com o PCC, ex-presidente da Câmara Municipal de SP Milton Leite se entrega à polícia

Político é um dos alvos da Operação Vectura Corrupta

Milton Leite se entregou à polícia em Mogi das Cruzes / Reprodução/TV Globo

Milton Leite se entregou à polícia em Mogi das Cruzes / Reprodução/TV Globo

O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil) se entregou à polícia nesta sexta-feira (18/9), acompanhado de um advogado, após o prazo de 24 horas dado por ele mesmo vencer.

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Milton Leite foi um dos alvos de um mandado de prisão temporária em operação realizada na quinta-feira (17/9), e passou a ser considerado foragido após não se apresentar aos orgãos competentes. Ele afirmou que estava viajando e que retornaria para provar sua inocência.

O ex-parlamentar se entregou em uma delegacia de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. Ele é investigado pela Polícia Civil e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) na Operação Vectura Corrupta por suspeitas relacionadas à atuação da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) no setor de transporte público da capital.

Quais são as suspeitas contra Milton Leite

A investigação aponta que Milton Leite teria influência sobre empresas do transporte coletivo investigadas por suposta ligação com o PCC. Entre os principais pontos está a suspeita de que ele seria o chamado “dono de fato” da Transwolff.

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Segundo relatório policial citado no processo, o ex-vereador seria responsável pela operação de empresas que estariam sob controle da facção. A apuração também menciona relatos de policiais militares que relacionariam Leite à administração da companhia.

A expressão “dono de fato” não indica participação societária registrada. Ela se refere à suspeita de que uma pessoa exerça controle sobre uma empresa mesmo sem aparecer formalmente como proprietária.

Relação de Milton Leite com a Transwolff

O nome de Milton Leite também aparece em análises de conversas atribuídas a José Daniel Satilite. Ele é investigado por suposta atuação em empresas de transporte e aparece como personagem central nas apurações.

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Em um dos diálogos analisados, Satilite teria discutido uma possível substituição da UPBus pela Translider. Segundo os investigadores, ele afirmou que seria necessário comunicar Milton Leite caso a mudança avançasse.

A investigação também cita uma empreiteira ligada ao ex-vereador. O documento afirma que contratos dessa empresa com companhias de transporte estão sob análise, mas não detalha, no trecho divulgado, quais seriam os contratos.

O que Milton Leite diz sobre as acusações

Milton Leite nega qualquer ligação com o PCC e também rejeita a acusação de ser proprietário da Transwolff. Segundo sua defesa, ele nunca teve participação societária na empresa.

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O ex-vereador também afirma que não participou da administração da companhia nem deu ordens aos seus dirigentes. Após não ser encontrado em casa durante o cumprimento do mandado, Leite declarou que estava viajando e que se apresentaria às autoridades.

A situação ainda está em fase de investigação. As suspeitas apresentadas pelas autoridades serão analisadas no processo judicial, enquanto os citados têm direito à defesa e ao contraditório.

Quem é Milton Leite

Milton Leite chegou à Câmara Municipal de São Paulo em 1997. O político foi reeleito seis vezes e encerrou o período no Legislativo após o mandato iniciado em 2021.

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Durante a carreira, Milton Leite presidiu a Câmara Municipal em diferentes períodos. Segundo registros da própria Casa, ele comandou o Legislativo em seis oportunidades, entre 2017 e 2018 e de 2021 a 2024.

O político nasceu na região de Piraporinha, na Zona Sul da capital. Sua trajetória eleitoral teve forte ligação com essa área da cidade.