Suzane Von Richthofen, condenada a 39 anos de prisão pelo assassinato dos pais, voltou a repercutir nacionalmente após participar de um documentário inédito.
Mais de duas décadas após o crime brutal, ela decidiu revisitar o caso em uma produção na qual concede entrevista e apresenta sua versão sobre o crime, considerado um dos mais emblemáticos do País. Atualmente, ela cumpre pena em regime aberto.
O longa-metragem, com cerca de duas horas de duração, foi disponibilizado em uma pré-estreia restrita pela Netflix. Ainda não há data oficial de lançamento. As falas foram reveladas por Ullisses Campbell na coluna True Crime do jornal O Globo.
No documentário, o relato começa pela infância. A casa onde os pais, Manfred e Marísia Von Richthofen, foram mortos é descrita por ela como um ambiente marcado pela ausência de afeto.
“Eu vivia estudando. Era só nota alta. Tirava 9 e 10 em todas as matérias. Não tinha demonstração de amor, nem deles pra gente, nem da gente pra eles. Minha vida era brincar com o meu irmão”, sustentou Suzane. Manfred, segundo ela, era ainda mais distante: “Meu pai era zero afeto. Minha mãe ainda tinha um pouco. Volta e meia ela pegava a gente no colo. Mas era muito de vez em quando”, pontua.
Ainda de acordo com Suzane, a rotina familiar era atravessada por conflitos. “O relacionamento dos meus pais era muito ruim”, classificou. Ela chega a contar ter presenciado uma cena de violência dentro de casa. “Eu era criança. Meus pais botavam a gente pra dormir muito cedo. Ouvi uma discussão e desci pra ver o que era. Eu vi meu pai enforcando a minha mãe contra a parede. Foi horrível”, recorda-se.
No depoimento, Suzane afirma: “Minha família não era família Doriana. Longe disso. Meus pais construíram um abismo entre nós”. Em outro momento, diz que “esse espaço vazio foi ocupado pelo Daniel”.
Manfred e Marísia foram assassinados a pauladas em 31 de outubro de 2002. O homicídio foi planejado pela filha do casal e executado pelos irmãos Daniel e Cristian Cravinhos. “Eu não construí a arma do crime. Não tenho nada a ver com isso”, ressaltou.
Ponto de virada no documentário
O ponto de virada, segundo ela, aconteceu quando os pais viajam por 30 dias para a Europa, e Daniel se mudou para viver com ela dentro da casa da família. “Foi um mês de liberdade total. Um sonho que eu não queria que acabasse. Era o dia inteiro de sexo, drogas e rock ’n’ roll”, recordou. “Aquele mês mudou tudo na nossa vida”, afirmou, em um dos momentos nos quais chega a rir ao relembrar episódios do período.
No relato de Suzane, a ideia do crime não surgiu de forma direta. “Nós não falávamos em matar meus pais. A gente dizia que seria muito bom se eles não existissem”, descreveu.
O duplo homicídio, assim, foi ganhando forma até se tornar concreto. Ainda assim, ela tenta se afastar do planejamento, embora reconheça o ponto central da própria participação. “Eu aceitei. Eu os levei pra dentro da minha casa”, pontuou Suzane. E conclui, direta: “A culpa é minha. Claro que é minha”.
Vida pessoal
Durante a produção, Suzane também comenta sobre sua vida pessoal. Ela aparece ao lado do marido, o médico Felipe Zecchini Muniz, que no próprio documentário relata ter entrado em contato com ela pelo Instagram para encomendar para as três filhas sandálias que Suzane customizava.
No trecho final, Suzane tenta estabelecer um rompimento definitivo com o passado. Afirma que a mulher que participou do assassinato dos pais deixou de existir. “Aquela Suzane ficou lá no passado. A sensação que eu tenho é que ela morreu junto com os meus pais”, comparou.
Ao falar de fé e redenção, Suzane diz que encontrou no filho a prova concreta de que o passado ficou para trás. “Quando eu olho para o meu filho, eu tenho a certeza de que Deus me perdoou”.





