O Ministério Público de São Paulo (MPSP) notificou o Governo de São Paulo para prestar esclarecimentos sobre as medidas adotadas após estudantes de uma escola estadual passarem mal ao inalar gás proveniente de um treinamento realizado em um batalhão da Polícia Militar vizinho à unidade de ensino.
O ofício, assinado pelo promotor João Paulo Faustinoni e Silva, foi encaminhado ao governo na última sexta-feira (3/7). A administração estadual terá 30 dias para responder aos questionamentos.
No documento, o promotor solicita informações sobre a eventual abertura de um procedimento administrativo para apurar o caso e pergunta se há ações previstas para evitar novos episódios, considerando a proximidade entre o batalhão da PM e a Escola Estadual Professor Paulo Roberto Faggioni, localizada no bairro Limoeiro, na zona leste da Capital.
Vazamento de gás
O caso ocorreu em 29 de março, quando um gás atingiu áreas da escola, como pátio, refeitório e quadras, durante o período de aulas. Em comunicado divulgado na ocasião, a direção da unidade informou que estudantes apresentaram sintomas como ardência nos olhos, irritação na garganta, tosse, falta de ar, vômitos, arritmia cardíaca e dificuldade para respirar.
Segundo a escola, após explosões ouvidas nas proximidades, os alunos foram levados para o estacionamento, considerado o local mais ventilado, enquanto o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e a Polícia Militar eram acionados. Posteriormente, um oficial da corporação informou à direção que o batalhão vizinho realizava um treinamento com bombas de gás lacrimogêneo.
De acordo com a Secretaria Municipal da Saúde, quatro adolescentes receberam atendimento médico, e dois deles foram encaminhados para uma unidade de pronto atendimento.
Na época, as secretarias estaduais da Segurança Pública e da Educação confirmaram, em nota conjunta, que o gás lacrimogêneo utilizado durante o treinamento foi percebido pelos estudantes.
Em junho, cinco crianças também foram socorridas com falta de ar após a dispersão de gás lacrimogêneo durante um treinamento da Polícia Militar nas proximidades da Escola Estadual Professor Luiz Gonzaga Pinto e Silva, no Jardim São Luís, zona sul de São Paulo.
Procurada, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que a ocorrência é alvo de um procedimento instaurado pela Polícia Militar para apurar as circunstâncias do episódio e adotar as providências cabíveis.
A representação encaminhada ao Ministério Público foi apresentada pelos deputados estaduais Luciene Cavalcante e Carlos Giannazi, além do vereador paulistano Celso Giannazi, todos do PSOL.
