O comércio de rua estará autorizado a reabrir na cidade de São Paulo a partir desta quarta-feira e os shoppings a partir de quinta (11). Ambos os setores funcionarão por 4 horas diárias. O anúncio deve ser feito ainda nesta terça-feira pelo prefeito Bruno Covas (PSDB).
A Gazeta conversou com vereadores da Capital para saber a opinião deles sobre a decisão da prefeitura. Segundo Celso Giannazi (Psol), “beira a irresponsabilidade” a flexibilização à quarentena em um momento em que o estado de São Paulo tem o maior número de mortes pela Covid-19 no período de 24 horas.
“Mais uma vez, Doria e Covas cedem à pressão dos empresários e colocam em grande risco a vida dos paulistanos. A prioridade não deve ser a economia. Precisamos aplicar todos os recursos que temos para reabrir hospitais fechados, abrir mais leitos, ampliar o número de servidores e garantir uma renda emergencial para que a população possa fazer o isolamento”, disse o vereador.
O vereador do Psol contou ter apresentado propostas para fortalecer o isolamento, como uma renda básica às famílias mais afetadas e desvinculação de recursos da prefeitura para combate à pandemia. Segundo ele, países como Itália e Suécia “pagaram caro” por não seguir o isolamento. “No final, pedidos de desculpas não trazem de volta vidas perdidas”.
Já de acordo com Adilson Amadeu (DEM), a medida é importante, mas ele duvida da eficiência da fiscalização. “Eu acho que tem que reabrir, mas fazer com muitas regras. Como que pode fiscalizar o Brás, Pari e Canindé com todo aquele comércio que tem, uma loja encostada na outra, e com 28 mil ambulantes de madrugada? A loja é mais fácil ter controle, mas o ambulante na rua não se tem controle”.
Para Caio Miranda Carneiro (DEM), os horários reduzidos de atendimento é uma “péssima ideia”. “Não concordo com essa reabertura, mas já que será feita deveria estar condicionada à testagem. O ideal seria pactuar com os empregadores para que fossem feitas testagens quinzenais nos trabalhadores. Os horários encurtados são uma péssima ideia, aglomeram e concentram muito mais as pessoas”.
De acordo com Alessandro Guedes (PT), o anúncio da abertura do comércio é uma “piada”. “Quarentena no começo da pandemia e fim da quarentena no pico”, disse.
ABERTURA.
De acordo com levantamento da Gazeta, a expectativa é que o horário de funcionamento do comércio na cidade de São Paulo seja entre 11h e 15h, enquanto os shoppings abririam as portas das 6h às 10h ou das 16h às 20h, com público limitado a 20% da capacidade. Os dois setores deverão fazer o controle do fluxo de pessoas nas portas e estacionamentos, além de seguir normas de higiene e segurança. Em relação aos shoppings, a tendência é que os centros comerciais populares optem por abrir as portas das 6h às 10h, enquanto os convencionais atendam das 16h às 20h. (Bruno Hoffmann)
