Vorcaro articulou ataque hacker para apagar fotos e mensagens do próprio celular durante prisão domiciliar

Ex-banqueiro encomendou serviço em janeiro deste ano para acessar dados do aparelho que estava em posse da PF

vorcaro articulou ataque hacker

Tentativa de invasão foi descoberta pela Polícia Federal. Foto: Reprodução/Redes Sociais

Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, articulou um ataque hacker para apagar arquivos do próprio celular durante a sua prisão domiciliar, em janeiro deste ano. O aparelho estava em posse da Polícia Federal (PF) há cerca de dois meses na ocasião.

Continua após a publicidade

O objetivo do banqueiro era invadir a sua conta no iCloud, o serviço padrão de armazenamento de dados na nuvem utilizado em iPhones. Ali, são mantidas fotos, mensagens e todo tipo de informação salva no celular. As informações são da Piauí.

Como o ataque hacker foi planejado

A “encomenda” foi feita a Thiago Miranda, seu interlocutor com Flávio Bolsonaro, após a PF ter bloqueado o acesso externo aos dados digitais, por serem considerados evidências de crime. 

Além disso, o ataque também tinha a conta de iCloud de Fabiano Zettel, o cunhado e principal operador financeiro de Vorcaro, como alvo. Poucos dias antes, em 14 de janeiro, Zettel havia sido preso enquanto tentava embarcar para Dubai, no Aeroporto de Guarulhos. Ele foi solto no mesmo dia, mas seu celular foi apreendido e incorporado às investigações da PF, aponta a revista Piauí.

Continua após a publicidade

Rastros apagados poderiam atrapalhar investigações do caso Master

Conforme a lei brasileira, a tentativa de destruir evidências em uma investigação criminal pode ser considerada crime de obstrução de justiça. O caso está sob análise da Polícia Federal. 

A invasão às contas de iCloud foi encomendada por Vorcaro ao publicitário e lobista Thiago Miranda, próximo a Flávio Bolsonaro e que cobrava os repasses financeiros acordados entre o senador e o banqueiro para a realização do filme Dark Horse. 

Com a encomenda do ataque, Miranda acionou o especialista em segurança digital Thiago Santos. O objetivo da operação era apagar todo o conteúdo armazenado antes que os dados dos dois aparelhos fossem analisados pelos investigadores. 

Continua após a publicidade

Thiago Santos chegou a acessar o iCloud de Vorcaro durante a ação, mas a invasão foi detectada pela PF, que conseguiu conter a investida e preservar os dados.

Quem é o escolhido por Vorcaro para invadir o celular?

Thiago Miranda era dono da agência MiThi e foi alvo de uma operação de busca e apreensão da PF em julho deste ano, sob suspeita de atuar para obter informações sigilosas e coagir desafetos de Vorcaro. O passaporte dele foi apreendido por ordem do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. 

Além de atuar como mensageiro entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro, Miranda manteve contato frequente com o deputado Mário Frias (PL-SP) e com Eduardo Bolsonaro ao longo do ano passado, segundo mostra o conteúdo do celular de Vorcaro em posse da PF.

Continua após a publicidade

O que diz a defesa

Em nota à Piauí, a defesa de Thiago Miranda não comentou as informações da Polícia Federal sobre o ataque hacker e as demais operações digitais, mas defendeu “a absoluta legalidade de todos os atos praticados pelo constituinte e que são alvo de apuração por meio das operações Compliance Zero e Projeto DV”. Martins disse também que “a apuração dos fatos e a publicidade das investigações reforçam a inexistência de atos ilícitos praticados por Thiago Miranda”. Por sua vez, Thiago Santos negou qualquer tipo de atividade irregular e disse que se apresentou espontaneamente à Polícia Federal para prestar esclarecimentos sobre o caso. A defesa de Daniel Vorcaro não respondeu.