Vorcaro soube da prisão com antecedência e perguntou a Moraes se deveria sair do Brasil, mostram mensagens reveladas pela PF

Conversas extraídas do celular também mostram que Vorcaro fez pelo menos seis referências a encontros com Alexandre de Moraes

O sistema de Vorcaro para intimidar críticos e perseguir opositores | Reprodução

Vorcaro teria recebido informações antecipadas sobre investigações, procedimentos regulatórios e fiscalizações financeiras que poderiam afetar seus negócios/Reprodução

Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do banqueiro Daniel Vorcaro indicam que ele soube com “significativa antecedência” que seria alvo de uma ordem de prisão, segundo informações tornadas públicas nesta terça-feira (1º/9). O conteúdo faz parte das novas evidências do Caso Master e também registra ao menos seis referências a encontros presenciais entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

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O sigilo do material foi retirado pelo ministro André Mendonça, relator do caso no STF. A análise e a descriptografia do aparelho apreendido com Vorcaro revelaram diálogos que, segundo a decisão, apontam para uma rede de obtenção e circulação de informações sigilosas envolvendo autoridades e instituições públicas.

A primeira prisão preventiva de Vorcaro foi determinada pela 10ª Vara Federal do Distrito Federal em 17 de novembro de 2025. Na mesma data, ele acabou detido no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, quando tentava embarcar para Malta.

Mensagens indicam contatos com Moraes

As conversas extraídas do celular também mostram que Vorcaro fez pelo menos seis referências a encontros com Alexandre de Moraes entre novembro de 2024 e agosto de 2025.

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A primeira menção ocorreu em 15 de novembro de 2024, quando o banqueiro escreveu à filha: “Estou com Alexandre Moraes”. Depois, novas referências apareceram em diferentes datas:

  • 19 de março de 2025: Vorcaro afirmou que estava com Moraes. O encontro teria durado pelo menos 4h08;
  • 19 de abril: disse que estava indo encontrar Alexandre Moraes perto de casa;
  • 29 de abril: afirmou que estava com Alexandre e depois confirmou que se tratava de Moraes;
  • 21 de maio: mencionou estar com “Ciro e Alexandre”;
  • 8 de agosto: disse que estava com Alexandre e que depois teria uma reunião com Ciro.

Três dias antes de sua primeira prisão, em 14 de novembro de 2025, Vorcaro também enviou uma mensagem diretamente a Moraes. No texto, afirmou ter “gratidão” ao ministro e disse que sua família, funcionários, parceiros e amigos teriam uma dívida com ele e sua família.

Na noite seguinte, 15 de novembro, o banqueiro voltou a procurar Moraes e perguntou se deveria deixar o Brasil. “Acha que na segunda já tenho que estar fora?”, escreveu.

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Mendonça quer levar caso ao plenário do STF

Diante dos novos elementos, André Mendonça afirmou que o caso deverá ser analisado pelo plenário do STF. Segundo o ministro, a decisão sobre os próximos passos deve ocorrer de forma pública e transparente, em sessão presencial do colegiado.

A data da análise deverá ser definida pelo presidente da Corte, ministro Edson Fachin.

Na decisão, Mendonça também determinou que a Polícia Federal identifique, em até 72 horas, todos os envolvidos nos diálogos revelados pela investigação.

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As mensagens apontam ainda para uma suposta estrutura de monitoramento e influência que, segundo os investigadores, teria acesso a informações sigilosas de dentro do Banco Central e do próprio Judiciário.

De acordo com o material, Vorcaro teria recebido informações antecipadas sobre investigações, procedimentos regulatórios e fiscalizações financeiras que poderiam afetar seus negócios. Com esses dados em mãos, os relatórios da PF indicam que o empresário tentava interferir diretamente nas decisões relacionadas aos seus interesses.

O caso investiga suspeitas envolvendo o Banco Master e um suposto esquema que teria provocado um rombo bilionário no Fundo Garantidor de Créditos (FGC).