A média diária de pessoas pedindo bloqueio em sites de apostas saltou de 2,5 mil para quase 18 mil durante a Copa do Mundo deste ano. Dados do Ministério da Fazenda revelam que as solicitações de autoexclusão cresceram 7 vezes nas duas primeiras semanas do torneio.
O disparo de pedidos, entre 15 e 28 de junho, acende o alerta sobre o impacto de anúncios de bets na rotina dos paulistas.
O avanço coincide com a fase de maior audiência da competição e reforça um movimento que chama a atenção da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda. Enquanto os grandes eventos esportivos impulsionam o volume de apostas,também elevam a procura por mecanismos de proteção voltados a quem deseja interromper ou limitar o acesso às plataformas.
A Plataforma Centralizada de Autoexclusão permite que o próprio usuário solicite o bloqueio do CPF em todas as empresas autorizadas pelo governo federal a operar no mercado brasileiro.
Prevenção ao vício e proteção de dados lideram os pedidos de bloqueio
Após o cadastro, o apostador fica impedido de acessar contas, realizar novas apostas ou movimentar recursos nas plataformas regulamentadas.
A adesão é voluntária e pode ser feita por prazo determinado, entre um e 12 meses, ou por tempo indeterminado. Segundo a Secretaria de Prêmios e Apostas, a ferramenta já ultrapassou a marca de 1 milhão de autoexclusões ativas, consolidando-se como um dos principais instrumentos de proteção ao jogador.
Os dados do Ministério da Fazenda apontam ainda uma mudança no perfil das solicitações. Em maio, a principal razão informada pelos usuários era a perda de controle sobre o jogo, apontada por43% dos cadastros.
Durante as duas primeiras semanas da Copa, a justificativa mais frequente passou a ser a prevenção do uso dos dados pessoais em plataformas de apostas, mencionada por 29,5% dos usuários, enquanto a perda de controle caiu para 24,13%.
A mudança sugere um interesse crescente em barrar novos acessos durante o período de maior exposição às campanhas publicitárias.
Publicidade das bets na mira da Senacon
O aumento das autoexclusões aconteceu paralelamente ao avanço das medidas de fiscalização sobre a publicidade das apostas. Nos últimos meses, o Ministério da Fazenda passaram a restringir campanhas consideradas abusivas, proibindo anúncios com promessas de ganhos garantidos ou direcionados a públicos vulneráveis.
A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) instaurou procedimento para apurar possíveis práticas de publicidade enganosa durante as transmissões da CazéTV na Copa do Mundo, analisando a divulgação de odds, ações promocionais e a associação entre apostas e emoção esportiva.
Ao mesmo tempo, o Congresso Nacional discute novas restrições à participação de influenciadores digitais, atletas e celebridades em campanhas de casas de apostas.
Para a Fazenda, os números registrados durante a Copa do Mundo demonstram que a expansão do mercado regulado exige uma demanda proporcional por ferramentas de jogo responsável e proteção ao consumidor, mantendo o tema no centro do debate regulatório brasileiro e na saúde mental.




