Copa impulsiona explosão de autoexclusão das bets; média diária salta de 2,5 mil para 18 mil

Dados do Ministério da Fazenda revelam disparada de autoexclusões em duas semanas de torneio; bombardeio de anúncios acende alerta em São Paulo

Senado aprova destinação de parte dos impostos das bets para reforçar a estrutura e as investigações da Polícia Federal (Foto: Bruno Peres, Agência Brasil)

Atualmente a ferramenta de proteção financeira do governo federal conta com mais de 1 milhão de restrições cadastradas (Foto: Bruno Peres, Agência Brasil)

A média diária de pessoas pedindo bloqueio em sites de apostas saltou de 2,5 mil para quase 18 mil durante a Copa do Mundo deste ano. Dados do Ministério da Fazenda revelam que as solicitações de autoexclusão cresceram 7 vezes nas duas primeiras semanas do torneio.

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O disparo de pedidos, entre 15 e 28 de junho, acende o alerta sobre o impacto de anúncios de bets na rotina dos paulistas.

O avanço coincide com a fase de maior audiência da competição e reforça um movimento que chama a atenção da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda. Enquanto os grandes eventos esportivos impulsionam o volume de apostas,também elevam a procura por mecanismos de proteção voltados a quem deseja interromper ou limitar o acesso às plataformas.

A Plataforma Centralizada de Autoexclusão permite que o próprio usuário solicite o bloqueio do CPF em todas as empresas autorizadas pelo governo federal a operar no mercado brasileiro.

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Prevenção ao vício e proteção de dados lideram os pedidos de bloqueio

Após o cadastro, o apostador fica impedido de acessar contas, realizar novas apostas ou movimentar recursos nas plataformas regulamentadas.

A adesão é voluntária e pode ser feita por prazo determinado, entre um e 12 meses, ou por tempo indeterminado. Segundo a Secretaria de Prêmios e Apostas, a ferramenta já ultrapassou a marca de 1 milhão de autoexclusões ativas, consolidando-se como um dos principais instrumentos de proteção ao jogador.

Os dados do Ministério da Fazenda apontam ainda uma mudança no perfil das solicitações. Em maio, a principal razão informada pelos usuários era a perda de controle sobre o jogo, apontada por43% dos cadastros.

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Durante as duas primeiras semanas da Copa, a justificativa mais frequente passou a ser a prevenção do uso dos dados pessoais em plataformas de apostas, mencionada por 29,5% dos usuários, enquanto a perda de controle caiu para 24,13%.

A mudança sugere um interesse crescente em barrar novos acessos durante o período de maior exposição às campanhas publicitárias.

Publicidade das bets na mira da Senacon

O aumento das autoexclusões aconteceu paralelamente ao avanço das medidas de fiscalização sobre a publicidade das apostas. Nos últimos meses, o Ministério da Fazenda passaram a restringir campanhas consideradas abusivas, proibindo anúncios com promessas de ganhos garantidos ou direcionados a públicos vulneráveis.

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A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) instaurou procedimento para apurar possíveis práticas de publicidade enganosa durante as transmissões da CazéTV na Copa do Mundo, analisando a divulgação de odds, ações promocionais e a associação entre apostas e emoção esportiva.

Ao mesmo tempo, o Congresso Nacional discute novas restrições à participação de influenciadores digitais, atletas e celebridades em campanhas de casas de apostas.

Para a Fazenda, os números registrados durante a Copa do Mundo demonstram que a expansão do mercado regulado exige uma demanda proporcional por ferramentas de jogo responsável e proteção ao consumidor, mantendo o tema no centro do debate regulatório brasileiro e na saúde mental.