Desemprego despenca para 5,4% no Brasil, mas salário do trabalhador trava; entenda o motivo

Pesquisa do IBGE revela que geração de vagas em comércio e serviços sustenta queda na desocupação, enquanto poder de compra do trabalhador fica estagnado no trimestre

O desemprego caiu para 5,4% com 103,1 milhões de ocupados no Brasil, mas o ganho médio do trabalhador estagnou em R$ 3.738 / Marcello Casal Jr. / Agência Brasil

O número de brasileiros no mercado de trabalho alcançou a marca de 103,1 milhões de pessoas entre abril e junho deste ano, registrando a menor taxa de desocupação para o período desde 2012, quando a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua começou a ser realizada pelo IBGE.

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O índice de 5,4% reflete a redução da fila de busca por emprego, que recuou para 5,9 milhões de pessoas no país.

Apesar do avanço no volume de contratações, o ganho médio mensal do trabalhador interrompeu a trajetória de alta e ficou fixado em R$ 3.738. O valor representa estabilidade em relação aos primeiros três meses do ano, mostrando que a criação de novas vagas não se converteu em reajustes salariais expressivos.

Vagas concentradas em comércio e transportes puxam contratações

O motor da expansão do emprego permaneceu focado no setor produtivo de bens e serviços. Atividades ligadas ao comércio, à prestação de serviços e ao transporte urbano e de cargas responderam pela maior parcela de absorção de mão de obra no trimestre, áreas caracterizadas por remunerações médias mais baixas.

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A informalidade seguiu como alternativa para parcela expressiva da população ocupada, atingindo 37,4% do total de trabalhadores, o equivalente a 13,6 milhões de pessoas sem registro em carteira. Ao mesmo tempo, o mercado formal no setor privado registrou avanço, atingindo o patamar de 39,4 milhões de carteiras assinadas.

Volume de dinheiro em circulação e o impacto na taxa Selic

A entrada de mais de 1 milhão de pessoas no mercado de trabalho compensou a estagnação dos salários individuais e levou a massa de rendimento total ao patamar de R$ 380,3 bilhões em circulação na economia.

Essa circulação de recursos mantém o consumo aquecido nas cidades, movimento que gera pressão contínua sobre os preços do setor de serviços. Para quem depende de crédito, parcelamento ou financiamento, o cenário exige atenção: o aquecimento do mercado pode retardar a flexibilização da taxa básica de juros (Selic) pelo Banco Central, mantendo elevado o custo de empréstimos e financiamentos bancários.