Motoristas de aplicativo ganham 12% menos por hora do que os demais trabalhadores, mesmo ao cumprir uma jornada semanal de 5,4 horas a mais. O ganho médio foi de R$ 16,20 por hora no terceiro trimestre de 2025, contra R$ 18,40 entre os demais trabalhadores, revela recorte inédito do Pnad Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Essa jornada de trabalho afeta mais de 1,2 milhão de trabalhadores de aplicativos que pretendem igualar sua renda com quem atua no setor formal. O expediente pode chegar a 44,7 horas semanais, enquanto tem um faturamento mensal médio de R$ 3.147, valor quase idêntico aos R$ 3.148 obtidos pelos trabalhadores fora das ferramentas digitais.
Motoristas de aplicativo dependem dos algoritmos
A dependência econômica direta em relação aos algoritmos afeta a rotina diária dos motoristas de aplicativo, uma vez que 80,2% desses profissionais declaram que as empresas determinam totalmente o preço fixado por cada corrida efetuada.
A perda no ganho real por hora trabalhada, no entanto, é agravada pela transferência integral de custos operacionais como combustível, manutenção e depreciação veicular que ficam a encargo do prestador do serviço.
Exclusividade tem maior concentração no trabalho por aplicativo
Além da forte subordinação tecnológica, 62,5% atuam vinculados a apenas um aplicativo de viagens. Esse dado, combinado à frequência de uso, permitiu à pesquisa identificar que 38% trabalham de forma estritamente exclusiva em uma única plataforma de transporte.
A modalidade atrai predominantemente homens jovens com ensino médio completo, compondo a engrenagem principal da mobilidade urbana brasileira, na qual o segmento de transporte e logística responde por 75% de todo o universo do trabalho plataformizado no País.
Dentro desse universo, o transporte de passageiros ocupa posição central, com 1,1 milhão de condutores em empresas de transporte privado individual e 232 mil profissionais em aplicativos de táxi.
Crescimento desse modelo de negócios
A expansão desse modelo de negócios impulsionou o avanço do trabalho por aplicativo em 36,8% entre 2022 e 2025, saltando de 1,3 milhão para 1,8 milhão de brasileiros com atuação principal fixada no transporte de passageiros.
Somente no último ano, o crescimento registrado foi de 9,1%, impulsionado sobretudo pela falta de alternativas formais de emprego e pela busca de autonomia financeira. A motivação para ingressar nesse ramo reflete os gargalos do mercado nacional de trabalho.
Questionados sobre essa motivação, 24,6% dos motoristas recorreram às plataformas por escassez de vagas com carteira assinada, enquanto 26,8% apontam a flexibilidade de horários como razão determinante.
Os dados do Pnad Contínua do IBGE terceiro trimestre de 2025 apontam 2 milhões de trabalhadores por aplicativo no Brasil. Desse total, 1,2 milhão atuavam no transporte de passageiros por aplicativo, modalidade que representava 58,9% do segmento.
A jornada semanal média era de 44,7 horas entre os trabalhadores de aplicativos, contra 39,3 horas entre os demais ocupados.
