O Ministério da Educação (MEC) abriu 400 mil vagas gratuitas para um curso online de capacitação de professores focado em estimular o raciocínio lógico de alunos de até 5 anos para tentar reverter um cenário alartamente.
Segundo pesquisa realizada pelo Itaú Social com a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), apenas 48% das redes de ensino das cidades brasileiras contam com ações organizadas para ensinar matemática na educação infantil.
O levantamento aponta também que só 27% das prefeituras recebem apoio financeiro dos governos estaduais para estruturar esse trabalho nas salas de aula de todo o país.
Como se inscrever:
- Acessar o portal oficial da plataforma de cursos do MEC (Avamec);
- Realizar o cadastro de usuário (ou fazer login com a conta Gov.br);
- Buscar pelo curso de Matemática na Educação Infantil no catálogo de capacitações;
- Confirmar a matrícula e iniciar as aulas de forma imediata e autoinstrucional.
O gargalo na educação infantil
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) orienta que os conceitos matemáticos entrem na rotina das crianças pequenas de um jeito leve, usando brincadeiras para trabalhar noções de tempo, espaço e quantidade na sala de aula.
Embora quase metade dos municípios afirme que segue essa regra, as prefeituras encontram dificuldades reais para equipar as salas sem repasses de verbas estaduais constantes.
Em estados como o Maranhão e Sergipe, a situação é ainda mais restrita, menos de 30% das cidades possuem diretrizes específicas de ensino de matemática para a primeira infância.
A estrutura física dos colégios também dificulta a atuação dos professores. No país inteiro, apenas 17% das creches e pré-escolas contam com água potável, esgoto, acessibilidade e um espaço de leitura ao mesmo tempo.
Para tentar amenizar o problema pedagógico, o MEC lançou uma formação de 50 horas na plataforma Avamec. O curso ensina o docente a usar momentos simples do dia a dia, como a hora da merenda ou a organização de uma fila.
A ideia do programa é desenvolver o raciocínio lógico das crianças de forma natural nas escolas de educação infantil, deixando totalmente de lado as cartilhas de decoração e fórmulas tradicionais.
Falta de formação dos professores
A aplicação dessas novas práticas pedagógicas esbarra diretamente na preparação dos profissionais de ensino. Segundo dados do Anuário Brasileiro da Educação Básica, 20,5% dos educadores que trabalham na educação infantil no Brasil não terminaram a faculdade.
A ausência de especialização acompanha o estudante nos anos seguintes. Um terço dos professores que atuam na educação infantil e no ensino médio dá aulas de matérias que não são de sua área de formação original.
Nos anos iniciais do ensino fundamental, do 1º ao 5º ano, um em cada cinco docentes ensina conteúdos para os quais não recebeu treinamento adequado para a atuação diária.
Essa falta de apoio pedagógico e estrutural, somada ao fato de que o atraso no reajuste do piso dos professores desestimula e dificulta a rotina das equipes escolares nas cidades, acaba gerando reflexos diretos no aprendizado.
Desempenho crítico nas avaliações
As consequências desse cenário aparecem de forma clara nos resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), do Inep. Metade dos estudantes do 5º ano do ensino fundamental apresenta um nível de aprendizado em matemática considerado crítico ou muito crítico.
Desse total, 12% não conseguem resolver contas simples de somar ou dividir, e apenas 7% atingem o conhecimento esperado para a série histórica avaliada pelo governo.
A defasagem acompanha o aluno até as etapas finais da escola. No 9º ano do ensino fundamental, o índice de estudantes com aprendizado crítico de matemática continua em 52%.
No final do ensino médio, a situação alcança o ponto mais preocupante, 67% dos jovens saem da escola regular sem saber o básico da matéria, e só 6% demonstram o domínio ideal do conteúdo.
Metas federais descumpridas
O governo federal estabeleceu, por meio do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, a meta de alfabetizar 60% dos estudantes da rede pública até o fim do 2º ano do ensino fundamental em 2024. O balanço de 2025 mostrou que o país alcançou 59,2%, ficando um pouco abaixo do planejado.
Essa média nacional esconde realidades muito desiguais entre as regiões do país. Bahia, Sergipe e Rio Grande do Norte têm taxas de alfabetização na idade certa que não chegam a 40% do total de alunos do ensino básico.
A dificuldade para tirar as políticas públicas do papel é visível no debate nacional sobre o novo Plano Nacional de Educação, que deveria definir os rumos, investimentos e objetivos para o setor no período de 2024 a 2034.
O texto do projeto continua aguardando votação final na Câmara, enquanto os relatórios do plano anterior revelam que o Brasil não cumpriu 90% das metas estabelecidas para a última década.






