O sorteio da Mega-Sena desta quinta-feira (29/1), às 21h, pode pagar R$ 102 milhões ao vencedor que acertar as seis dezenas.
Diante da ausência de ganhadores nas últimas semanas de jogo, o valor acumulou e chegou a esse montante.
Quantias dessa magnitude costumam levantar dúvidas entre ganhadores sobre como administrar, proteger e investir o dinheiro no longo prazo.
Para orientar sobre o tema, a Gazeta ouviu o CEO da iHUB Investimentos, Paulo Cunha, que detalha alternativas voltadas à geração de renda e à preservação do capital.
Dinheiro para viver de renda
Segundo Cunha, a lógica central para quem recebe um prêmio elevado é evitar o consumo do principal e estruturar aplicações que gerem receita recorrente.
“Quando a gente fala de um prêmio desse porte, algo em torno de R$ 102 milhões, a principal recomendação é pensar em viver de renda. A ideia é preservar o patrimônio e transformar esse valor em uma fonte estável de receita, evitando o risco de consumir o capital ao longo do tempo”, afirma.
Entre as opções citadas por ele estão títulos públicos indexados à inflação. Papéis como o Tesouro IPCA+ pagam atualmente retorno real próximo de 7% ao ano, além da correção inflacionária.
Na prática, isso poderia representar renda anual na casa de milhões de reais, com manutenção do poder de compra ao longo do tempo.
O especialista observa também que esses títulos permitem a montagem de carteiras com diferentes vencimentos, o que possibilita fluxos de caixa mais frequentes ao investidor.
Fundos imobiliários e prefixados
Outra alternativa mencionada são os fundos imobiliários, que distribuem rendimentos isentos de Imposto de Renda para pessoa física. Parte desses fundos possui contratos corrigidos por índices de inflação.
De acordo com Paulo, há produtos entregando retornos mensais entre 0,8% e 1%, tanto em fundos com imóveis físicos quanto em carteiras de recebíveis imobiliários.
O cenário de juros também entra na equação. Com expectativa de início de ciclo de cortes, títulos prefixados passam a ser considerados por quem deseja travar taxas elevadas por prazos longos. Hoje, esses papéis ainda oferecem retornos de dois dígitos ao ano.
Renda variável e perfil de risco
Para Paulo, investidores com maior tolerância a oscilações, ações de empresas reconhecidas pelo pagamento de dividendos podem complementar a estratégia.
“Empresas do setor elétrico, como a Copel, ou grandes companhias com histórico consistente de distribuição, como a Vale, podem gerar uma renda relevante ao longo do tempo. Mas aqui já estamos falando de renda variável, o que exige tolerância à volatilidade e uma avaliação cuidadosa do perfil de risco do investidor”, explica.
Na prática, a definição da estratégia depende do horizonte de tempo, dos objetivos financeiros e da disposição ao risco do ganhador.
Com o sorteio marcado para a noite desta quinta-feira, a eventual gestão do prêmio passa a ser o próximo desafio para quem acertar as seis dezenas.
Especialistas recomendam planejamento financeiro e apoio profissional para estruturar a carteira e evitar decisões precipitadas.
A Mega-Sena tem três concursos semanais, sempre às terças, quintas e sábados. Este é o concurso número 2.966 e será realizado em São Paulo.
