O peso do almoço: ‘PF’ acumula alta de 7,2% em 2026 e exige mais de R$ 630 mensais do trabalhador

Despesa com alimentação fora de casa sobe acima de itens duráveis; indicador específico de restaurantes mostra por que a percepção de inflação na rua supera o IPCA oficial.

O preço médio do almoço tradicional fora de casa registrou aceleração acentuada ao longo do primeiro semestre (Foto: Banco de imagem/freepik)

O preço médio do almoço tradicional fora de casa registrou aceleração acentuada ao longo do primeiro semestre (Foto: Banco de imagem/freepik)

A rotina de quem precisa almoçar fora de casa ficou sensivelmente mais cara desde o início do ano. O preço médio do tradicional prato feito (PF) registrou uma alta acumulada de 7,2% no Brasil em 2026, empurrando o valor médio de cada refeição para R$ 31,90. Para o cidadão que consome o prato de segunda a sexta-feira, a conta individual atinge a marca de R$ 638,00 mensais, comprometendo uma fatia expressiva do orçamento das famílias.

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O raio-X dos preços pelas regiões do País

Uma pesquisa realizada pelo Índice Prato Feito (IPF), elaborado pelo Núcleo de Estudos Econômicos da Faculdade do Comércio (FAC-SP), aponta que o custo de comer na rua não é uniforme, apresentando uma oscilação de 16,4% entre os extremos geográficos do País.

Sul (R$ 34,90): lidera o ranking nacional com a maior média por refeição.

Centro-Oeste (R$ 34,45): registra o segundo maior valor, pressionado por fatores logísticos locais.

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Sudeste (R$ 31,99): mantém-se praticamente espelhado com a média nacional.

Nordeste (R$ 30,00): aparece na quarta posição, detendo o segundo menor preço médio do território.

Norte (R$ 29,99): fecha a lista com o valor mais acessível para o bolso do consumidor.

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A discrepância entre o bolso e o índice oficial

Muitos trabalhadores questionam por que a percepção de alta na hora do almoço parece muito mais intensa do que a inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).

A explicação técnica reside na composição dos índices. Enquanto o IPCA monitora uma cesta ampla de consumo nacional, englobando desde passagens aéreas até eletrodomésticos, que costumam puxar a média para baixo, o setor de serviços alimentícios responde a dinâmicas muito mais imediatas.

Para capturar essa realidade real das cozinhas, a Faculdade do Comércio (FAC-SP) acompanha o Índice Prato Feito (IPF). Monitorando cerca de 900 pontos comerciais pelo país, o IPF isola as variáveis específicas que o IPCA dilui.

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O indicador sintetiza em um único dado o custo de aquisição da matéria-prima agrícola, as despesas operacionais da preparação e os custos fixos exigidos para manter as portas dos estabelecimentos abertas.

Com as previsões climáticas apontando um cenário de forte instabilidade para as safras do segundo semestre, a tendência é de que o preço final ao consumidor continue operando em volatilidade até o encerramento do ano.