A atriz Cacau Protásio abriu o jogo em entrevista exclusiva à Gazeta sobre um dos personagens mais marcantes de sua carreira: Zezé, de Avenida Brasil.
A atriz revelou o carinho que ainda mantém pela personagem e contou como a novela exibida em 2012 mudou sua trajetória profissional.
“Sem dúvida, a Zezé, de Avenida Brasil. Foi uma personagem que mudou a minha vida profissional e também a forma como o público passou a me enxergar”, afirmou à Gazeta.
A força de Zezé permanece viva mais de uma década depois da estreia da novela. Com a confirmação de Avenida Brasil 2 e a ausência de Cacau entre os nomes anunciados para a continuação, fãs passaram a fazer campanha nas redes sociais pedindo o retorno da personagem.
Ainda à Gazeta, a atriz não escondeu o desejo de reencontrar Zezé e agradeceu o carinho do público. “Seria uma alegria reencontrar a Zezé e, principalmente, poder matar a saudade do público que continua pedindo a minha volta”, disse.
Cacau Protásio também falou sobre a possibilidade de levar Zezé para Portugal, em meio à produção de Avenida Portugal, e relembrou outros momentos importantes dos seus mais de 20 anos de carreira.
A atriz ainda contou sobre a nova fase como criadora, produtora e escritora, o sucesso de Durval e Valcylange, espetáculo que bancou com recursos próprios, o desejo de interpretar personagens mais dramáticos, as transformações provocadas pelos streamings e a importância de ampliar o protagonismo de pessoas negras na publicidade.
Confira entrevista abaixo:
Qual personagem da sua carreira você considera um divisor de águas?
Sem dúvida, a Zezé, de Avenida Brasil. Foi uma personagem que mudou a minha vida profissional e também a forma como o público passou a me enxergar. A Zezé caiu no gosto das pessoas, ganhou uma repercussão enorme e abriu muitas portas para mim. É uma personagem que mora no coração do público e, consequentemente, mora no meu também.
Outro personagem que eu amo e que também foi muito importante na minha trajetória foi a mãe do Mussum, no cinema.
Foi uma oportunidade muito especial porque pude mostrar um lado meu que nem sempre o público tinha visto. Eu sou muito conhecida pela comédia, mas naquele trabalho pude fazer drama e mostrar que também tenho essa capacidade como atriz. Foi muito importante para mim porque ajudou a ampliar a percepção das pessoas sobre o meu trabalho e mostrar que sou uma atriz que transita tanto pela comédia quanto pelo drama.
O que mudou na Cacau Protásio atriz desde o início da carreira até hoje?
Mudou muita coisa. Eu amadureci como mulher e como atriz. Quando comecei, eu tinha muita vontade de trabalhar e de provar que era capaz. Hoje continuo tendo essa vontade, mas tenho mais consciência da minha trajetória, dos meus limites e também da minha força. Aprendi a confiar mais no meu trabalho, a escolher melhor os projetos e a entender que cada etapa da carreira tem seu tempo. Sigo estudando, aprendendo e querendo me desafiar.
No âmbito pessoal, busco todos os dias ser uma pessoa melhor, não só para mim, mas também para quem convive comigo e para as pessoas que acompanham e admiram o meu trabalho. Gosto de transmitir mensagens positivas e, de alguma forma, deixar algo bom para quem me acompanha. Estou longe de ser perfeita, tenho minhas qualidades, meus defeitos, acertos e erros, mas procuro aprender com cada experiência e evoluir como pessoa. Acho que crescer também é reconhecer que estamos sempre em construção.
Existe algum personagem ou tipo de papel que você ainda sonha interpretar?
Eu tenho muitos sonhos. Quero continuar fazendo personagens diferentes de tudo aquilo que o público já me viu fazer.
Tenho vontade de interpretar uma mulher mais dramática, viver histórias fortes, personagens complexas, que me tirem da minha zona de conforto. Acho que o ator nunca pode parar de buscar novos desafios.
Como você vê as transformações da televisão brasileira e o crescimento dos streamings?
A televisão mudou muito e continua mudando. Hoje existem muitas possibilidades para o artista contar histórias e chegar ao público.
Os streamings trouxeram novas linguagens, novos formatos e também oportunidades para personagens e histórias que talvez não tivessem o mesmo espaço antes. Eu gosto dessa transformação porque acredito que o artista precisa estar aberto ao novo. O mais importante, para mim, continua sendo contar boas histórias e fazer personagens que tenham verdade. Amo levar alegria, emoção para casa das pessoas.
Os fãs têm feito campanhas pedindo sua participação em Avenida Brasil 2. Você acompanha esse movimento e gostaria de estar na novela caso recebesse um convite?
Eu acompanho, sim, e fico muito feliz e emocionada com esse carinho. É muito bonito perceber que, tantos anos depois, uma personagem continua tão presente na memória das pessoas.
A Zezé foi muito importante na minha vida e Avenida Brasil foi um trabalho muito especial para mim. Então, claro que eu ficaria muito feliz com um convite. Seria uma alegria reencontrar a Zezé e, principalmente, poder matar a saudade do público que continua pedindo a minha volta. Mas acredito que cada coisa acontece no seu tempo. Se o convite vier e fizer sentido para a história, vou receber com muito carinho.
Em Portugal, está prevista a novela “Avenida Portugal”, com um elenco português. Se surgisse um convite para levar a Zezé para essa história, você gostaria de reviver a personagem em Portugal?
Com certeza! Seria um prazer enorme reviver a Zezé em Portugal. Estive lá recentemente e foi muito emocionante perceber o carinho que o público português tem comigo. As pessoas me reconheciam na rua, pediam fotos e sempre foram muito carinhosas e respeitosas comigo.
A Zezé também é muito querida por lá, então seria uma alegria poder reencontrá-la nesse país e, de alguma forma, apresentar novamente essa personagem ao público português. Quem sabe, né? Vai que a Zezé atravessa o oceano e aparece em Portugal? Eu adoraria!
São 26 anos de carreira, e hoje vemos uma Cacau que vai muito além da interpretação, atuando também na criação, na produção e na escrita. Como você explica essa nova fase da sua trajetória?
Eu acho que é uma consequência natural de tudo que vivi nesses 26 anos de carreira. Sempre fui uma pessoa muito inquieta, muito criativa e que gosta de colocar a mão na massa.
Durante muito tempo, as pessoas me conheceram principalmente como atriz, mas eu sempre tive outras ideias e outras vontades. Hoje me sinto mais madura e segura para ocupar esses espaços também.
Criar, escrever e produzir me dão a possibilidade de contar histórias do jeito que acredito e de participar de todas as etapas de um projeto. É uma fase de muita realização, mas também de muito aprendizado.
Durval e Valcylange” nasceu nas redes sociais, conquistou o público e depois chegou aos palcos, com sessões lotadas e grande repercussão na imprensa. Na sua visão, o que explica o sucesso dessa história?
Acho que o principal é a identificação. São personagens que nasceram de uma observação do cotidiano e têm muita verdade. O público reconhece situações, comportamentos e relações que fazem parte da vida de muita gente.
Quando começamos nas redes sociais, percebemos que existia uma conexão muito forte com as personagens. Levar isso para o teatro foi um desafio, porque precisávamos transformar aquela linguagem da internet em uma experiência presencial.
E foi muito bonito ver o público chegando ao teatro, rindo, se emocionando e abraçando o espetáculo. O sucesso é resultado de uma história que encontrou o público e de uma equipe que acreditou muito nela.
Durval e Valcylange” foi um projeto custeado por você. Houve medo de investir do próprio bolso sem saber se o espetáculo daria certo?
Claro que existiu medo. Ser artista já envolve muitos riscos, e quando você coloca o seu próprio dinheiro em um projeto, a responsabilidade fica ainda maior. Mas eu também acredito muito nas coisas que faço.
Eu sabia que estava apostando em personagens que já tinham uma relação muito forte com o público, mas teatro é outra dinâmica e não existe garantia de nada. Mesmo assim, preferi acreditar, trabalhar e fazer acontecer.
No fim, ver o teatro cheio e perceber a resposta das pessoas fez todo o risco valer a pena. Para mim, investir em um projeto autoral também é uma forma de acreditar na minha capacidade de criar e de não esperar que alguém simplesmente me dê uma oportunidade.
Recentemente, você estrelou uma campanha publicitária para um banco que teve grande repercussão nas redes sociais. Como foi viver essa experiência e você sente falta de ver mais pessoas negras ocupando esse lugar de protagonismo no mercado publicitário?
Foi muito especial participar dessa campanha e ver a repercussão que ela teve. Acredito que a publicidade tem um papel importante na forma como as pessoas se enxergam e se sentem representadas.
Quando uma mulher preta ocupa esse espaço, ela não está ali sozinha, ela também representa muitas outras mulheres que desejam se ver nesses lugares. Ainda precisamos avançar muito em relação à representatividade, principalmente quando falamos de protagonismo negro em grandes campanhas.
Não basta incluir pessoas negras, é importante que elas sejam protagonistas, tenham suas histórias valorizadas e sejam reconhecidas pelo seu talento. Fico feliz quando vejo essas oportunidades acontecendo, mas quero que isso seja cada vez mais natural e frequente, e não algo que vire notícia justamente por ainda ser exceção.
Temos muitos profissionais negros talentosos e preparados, e o mercado publicitário precisa refletir a diversidade que existe no Brasil.












