O Cine Rosário, no Edifício Martinelli, no centro de São Paulo, será reaberto após mais de 70 anos. O espaço, inaugurado em 1929 e fechado desde 1955, será restaurado pelo Grupo Tokyo, que pretende transformar a antiga sala em um novo ponto de cinema e cultura na região.
A concessão das áreas do Martinelli foi vencida pelo Grupo Tokyo em 2023, e o projeto prevê a recuperação de espaços históricos do prédio. A empresa estima investir cerca de R$ 100 milhões em todo o complexo, dos quais R$ 20 milhões já foram aplicados.
O novo Rosário não terá o formato de um multiplex convencional. A proposta é recuperar o conceito de cinema de rua, com curadoria própria e possibilidade de receber peças de teatro e outras apresentações culturais.
Como será o novo Cine Rosário
O Cine Rosário foi inaugurado em setembro de 1929 e chegou a receber cerca de 1.000 espectadores. A primeira sessão foi realizada com a presença de autoridades, empresários e integrantes da elite paulistana.
A sala ganhou destaque entre os cinemas da cidade e funcionou por mais de duas décadas, até encerrar as atividades em 1955.
O espaço passou a ser incorporado ao complexo do Martinelli durante obras realizadas em 1924, por iniciativa do empresário italiano Giuseppe Martinelli, responsável pela construção do edifício. A estrutura original do cinema, porém, sofreu alterações ao longo dos anos.
Agora, a equipe responsável pela restauração pretende preservar o que ainda existe. Durante a retirada de placas de gesso e revestimentos instalados posteriormente, foram encontrados elementos decorativos e pinturas originais que estavam escondidos.
Segundo Floriano, CEO e sócio-fundador do Grupo Tokyo, a intenção não é reproduzir exatamente o cinema de 1929, mas adaptar o espaço às necessidades atuais, incluindo recursos de acústica, acessibilidade e tecnologia.
A previsão é de que a nova sala tenha curadoria própria, em vez de seguir a programação tradicional das grandes redes. O espaço também poderá receber outros eventos culturais.
“A nossa ideia é trabalhar na curadoria. Porque você vai ao cinema de rua? Porque a programação é diferente, porque o que está sendo oferecido é diferente.”
Quando o cinema do Martinelli deve reabrir
Ainda não há uma data definitiva para a reabertura do Cine Rosário. Segundo o Grupo Tokyo, o cronograma depende da conclusão das demais obras do Martinelli e de aprovações dos órgãos responsáveis pela preservação do patrimônio.
A expectativa é concluir o conjunto de intervenções em até 18 meses. Entre os trabalhos previstos está a construção de dois novos elevadores para atender o edifício, além da instalação dos equipamentos necessários para o funcionamento do cinema.
A nova operação deverá ocupar cerca de 1.000 m², área semelhante à do antigo Rosário. O projeto também prevê que o espaço possa receber peças de teatro e outras apresentações.
O restante do Martinelli continuará com diferentes usos. O edifício abriga estruturas da administração municipal e outras áreas destinadas a atividades culturais e turísticas.
O que mais será instalado no Martinelli
O projeto do Grupo Tokyo vai além do antigo cinema. Estão previstas duas galerias de arte, espaços para workshops e eventos, mirante, áreas para festas, restaurante com capacidade para cerca de 240 pessoas, café, loja de arte e design.
Também está prevista uma área dedicada à produção de conteúdo e uma instalação imersiva sobre a história do próprio Martinelli e do centro de São Paulo.
A expectativa é receber aproximadamente 1 milhão de visitantes por ano quando todo o projeto estiver em funcionamento, considerando as atividades realizadas durante o dia e à noite.
A empresa também pretende manter parte das atividades culturais já realizadas no local enquanto as demais áreas passam pelas obras de recuperação.
O projeto faz parte de uma estratégia maior do Grupo Tokyo para ocupar imóveis históricos e espaços subutilizados com restaurantes, bares, cinemas, espaços musicais, galerias e outros equipamentos culturais. A empresa pretende encerrar 2026 com faturamento entre R$ 40 milhões e R$ 45 milhões nessa nova frente de negócios.
