Certidão de óbito de Rubens Paiva é corrigida e responsabiliza ditadura militar

Documento agora informa que morte do deputado foi 'violenta' e 'causada pelo Estado brasileiro'

Rubens Paiva morreu de forma violenta, causada pelo Estado brasileiro

Rubens Paiva morreu de forma violenta, causada pelo Estado brasileiro | Rubens Paiva morreu de forma violenta, causada pelo Estado brasileiro

A certidão de óbito do engenheiro civil e ex-deputado federal Rubens Paiva, que desapareceu em 20 de janeiro de 1971, durante a ditadura militar, e foi posteriormente morto pelo regime, foi corrigida na última quinta-feira (23/1). 

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Na nova versão do documento, emitido pelo Cartório da Sé, na capital paulista, consta que, após seu desaparecimento, Paiva foi vítima de morte violenta, causada pelo Estado brasileiro.

“Procedo à retificação para constar como causa da morte de Rubens Beyrodt Paiva, o seguinte: não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro no contexto da perseguição sistemática à população identificada como dissidente política do regime ditatorial instaurado em 1964 e para constar como atestante do óbito: Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP)”, diz o trecho do novo documento.

Na versão anterior da certidão, de 1996 – 25 anos depois de seu desaparecimento -, conseguida após uma luta judicial travada pela mulher do engenheiro civil, Eunice Paiva, a vítima era considerada apenas como desaparecida desde 1971.

A alteração do atestado de óbito de Paiva ocorreu, tardiamente, devido à uma resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) publicada em 13 de dezembro de 2024, que dispõe sobre o dever de reconhecer e retificar registros de todos os mortos e desaparecidos vítimas da ditadura militar brasileira.

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Proposta pelo Ministério dos Direitos Humanos, a medida visa corrigir registros que historicamente omitiram a responsabilidade do estado nas mortes, como no caso de Rubens Paiva e tantos outros mortos na ditadura. 

Além da certidão de óbito do engenheiro civil, as documentações de 202 mortos durante a ditadura terão de ser corrigidas. Já os 232 desaparecidos durante o regime militar ‘ganharão’, finalmente, o direito a um atestado de óbito.

Todos os novos registros terão que informar que essas pessoas foram vítimas da violência cometida pelo Estado. O número total de mortos e desaparecidos na ditadura, 434, foi reconhecido pela Comissão Nacional da Verdade.

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A história da família Paiva nos cinemas 

A história do assassinato de Rubens Paiva e da luta de sua mulher, Eunice Paiva, foi contada pela primeira vez no livro autobiográfico “Ainda Estou Aqui”, de Marcelo Rubens Paiva, filho do casal. 

Em 2024, a obra ganhou uma brilhante adaptação para os cinemas, dirigida por Walter Salles e protagonizada por Fernanda Torres e Selton Mello. 

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Desde sua estreia, o filme vêm conquistando feitos históricos, como três indicações ao Oscar 2025, além de ter sido nomeado ao Globo de Ouro de “Melhor Filme de Língua Estrangeira” e ao BAFTA de 2025 na categoria de “Melhor Filme em Língua Não-Inglesa”.

O longa também alcançou a maior bilheteria do cinema brasileiro pós-pandemia e venceu o prêmio de “Melhor Roteiro” no Festival de Cinema de Veneza. 

Além disso, a performance de Fernanda Torres na trama – a atriz foi responsável por interpretar Eunice Paiva – lhe rendeu o Globo de Ouro de “Melhor Atriz em Filme de Drama” e a indicação ao Oscar 2025 de “Melhor Atriz”, assim como sua pelo filme “Central do Brasil” (1999). 

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Em comemoração 471 anos de São Paulo, “Ainda Estou Aqui” será exibido gratuitamente no sábado (25/1) no Centro Cultural São Paulo (CCSP)