‘Elã’ marca a resistência da Cia. Mungunzá após despejo do Teatro de Contêiner

Espetáculo dirigido por Isabel Teixeira ocupa o Complexo Cultural Funarte em meio ao processo de reconstrução da sede da companhia em São Paulo

Ingressos para 'Elã'

Ingressos para 'Elã' | Roberto Setton/Divulgação

Depois de ser despejada do Teatro de Contêiner em janeiro de 2026, a Cia. Mungunzá segue em movimento para reconstruir sua sede em um terreno cedido pela Prefeitura de São Paulo.

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Enquanto este processo avança, parte da programação do grupo passa a ocupar o Complexo Cultural Funarte, na região dos Campos Elíseos, que recebe ações já previstas pela companhia.

Entre elas está “Elã”, espetáculo em cartaz gratuitamente até 24 de maio, com sessões às sextas, às 19h30, e aos sábados e domingos, às 16h. Uma sessão extra ocorre na quinta-feira, 21 de maio, às 19h30.

Em meio ao processo de mudança, os artistas Léo Akio e Marcos Felipe fazem um balanço do último ano vivido pela companhia:

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“2025 foi um ano caótico. De um lado, enfrentamos pressão e violência para a saída do Teatro de Contêiner; de outro, celebramos a criação e a estreia de um novo espetáculo. Encerramos o ano esgotados, mas íntegros: nosso novo trabalho foi um sucesso e fizemos de tudo para que a mudança do Teatro de Contêiner acontecesse de forma digna e justa, respeitando nossos compromisso, nossa história e reafirmando um projeto de cidade mais humana e inclusiva.”

Sobre a nova sede, Léo Akio acrescenta: “Estamos buscando diálogo e uma posição formal da Prefeitura sobre o terreno ofertado na Rua Helvetia 807, mas ainda sem sucesso”. Já Marcos Felipe afirma: “Não temos a opção de parar. Até que a transferência do Teatro de Contêiner seja concluída, vamos transferir a programação contratada para outros espaços.”

Conheça a trama de “Elã”

Dirigido por Isabel Teixeira, “Elã” é o trabalho mais recente da companhia e parte do chamado “Livro de Linhas” para construir uma narrativa fragmentada e atravessada por diferentes tempos, espaços e personagens.

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Em cena, oito histórias se sobrepõem e se cruzam, enquanto o público é convidado a montar a própria teia narrativa a partir dos caminhos que escolhe acompanhar.

Entre as tramas apresentadas estão a de um andarilho preso em um jogo de videogame que tenta romper uma herança ancestral deixada pelo pai; a de um ator que vende morangos enquanto tenta convencer uma diretora a montar seu espetáculo; a de uma mãe que, ao atuar na peça do filho, começa a se libertar dos papéis impostos ao longo da vida; e a de uma mulher que decide abandonar a lógica de uma família de alta performance para perseguir o sonho de ser cantora de boate.

Outras histórias atravessam temas como luto, ancestralidade, sexualidade reprimida, violência, capitalismo e memória. Há ainda uma mulher que acredita ser responsável por tecer o destino do mundo e tenta impedir uma explosão manipulando os acontecimentos ao redor, além de um homem-bomba que deixa pistas para a filha enxergar o mundo sob outra perspectiva.

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Grupo de teatro contemporâneo

Criada em 2008, a Cia. Mungunzá consolidou-se como um dos grupos mais inventivos do teatro brasileiro contemporâneo, desenvolvendo uma pesquisa cênica marcada pelo diálogo entre arte, política e questões sociais.

A companhia trabalha frequentemente com diretoras e diretores convidados, explorando diferentes linguagens e formas de encenação.

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Em 2017, o grupo inaugurou o Teatro de Contêiner Mungunzá, espaço que rapidamente se tornou referência cultural e símbolo de ocupação artística no centro de São Paulo.

Reconhecido pela programação e pelo impacto social em territórios de vulnerabilidade, o teatro também ganhou destaque pela arquitetura sustentável e pelo caráter comunitário. Em 2026, porém, o espaço sofreu um despejo.

Serviço – “Elã”

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Quando? Até 24 de maio
Ingressos: Grátis; devem ser retirados através da plataforma Sympla