A premiada peça “O Deus da Carnificina”, da dramaturga francesa Yasmina Reza, ganha uma nova montagem brasileira sob direção de Rodrigo Portella. O espetáculo está em cartaz no Teatro TotalEnergies – Sala Adolpho Bloch, na Glória, no Rio de Janeiro, onde faz temporada até 7 de junho.
Conhecida mundialmente também pela adaptação cinematográfica dirigida por Roman Polanski, estrelada por Jodie Foster, Kate Winslet, Christoph Waltz e John C. Reilly, a obra retorna aos palcos brasileiros em uma versão traduzida por Eloisa Araújo Ribeiro e protagonizada por Karine Teles, Thelmo Fernandes, Angelo Paes Leme e Anna Sophia Folch.
Detalhes da narrativa
A trama acompanha dois casais que se encontram para discutir, de maneira aparentemente cordial, uma briga envolvendo seus filhos. O que deveria ser uma conversa civilizada, no entanto, rapidamente se transforma em um embate marcado por acusações, tensões e comportamentos cada vez mais agressivos.
Para Rodrigo Portella, diretor da montagem, a força do texto está justamente na fragilidade das convenções sociais.
“É como se os pactos e convenções sociais estivessem sempre por um fio diante da nossa força primitiva, caótica e violenta. Penso em criar uma encenação que explicite essa tensão, valorizando no trabalho dos atores essa desconstrução da compostura social e moral para ir revelando aos poucos toda sujeira, toda a selvageria, como se os personagens e a própria cena fossem se descascando, revelando atitudes de profunda intolerância e horror”, afirma.
Idealizadora do projeto, Anna Sophia Folch destaca como o espetáculo permanece atual mesmo tendo sido escrito no início dos anos 2000.
“A peça é um retrato incômodo do nosso tempo. Um texto extremamente provocativo que fala sobre a falência do diálogo, sobre como as pessoas defendem suas próprias narrativas a qualquer custo e sobre a rapidez com que a convivência se transforma em disputa. Os temas passam pela educação e pelas estruturas sociais, mas principalmente pela ideia de que o conceito de civilidade é muito mais frágil do que gostaríamos de admitir”, comenta.
Responsável pela direção de produção, Felipe Valle define a tragicomédia como um “espelho atemporal das relações sociais em sua forma mais pura e objetiva”. Segundo ele, o espetáculo também provoca reflexões sobre a tendência de simplificar relações humanas em polos opostos e sobre o impacto das narrativas individuais no convívio coletivo.
Estética minimalista
Na encenação, Portella aposta em uma estética minimalista, com poucos elementos cenográficos e figurinos realistas. A proposta é criar um espaço simbólico que privilegie o universo interno dos personagens e permita diferentes identificações do público, independentemente de contexto social, econômico ou ideológico.
Escrita e publicada em 2006, a obra de Yasmina Reza ressurge em um momento em que o diálogo parece ainda mais fragilizado diante da polarização e da velocidade das relações contemporâneas. O que antes poderia soar como uma situação limite ganha novos contornos na atualidade, reforçando o caráter atemporal da peça e sua leitura afiada sobre as dinâmicas humanas.
Serviço – “O Deus da Carnificina”, de Yasmina Reza
Quando? Até 7 de junho; de quinta a sábado, às 20h e domingo, às 17h
Onde? Teatro TotalEnergies – Sala Adolpho Bloch – Rua do Russel, 804, Glória, Rio de Janeiro
Quanto? R$150 (inteira) e R$75 (meia-entrada); às quintas-feiras, na plateia lateral – R$50 (inteira) e R$25 (meia-entrada); vendas através da plataforma Ingresso.com
Duração: 90 minutos
Classificação: 14 anos
Capacidade: 359 lugares





