Vivendo o personagem Barrabás em “Ópera do Malandro”, Isaac Belfort celebra um novo momento em sua carreira.
O ator integra o elenco do espetáculo, um clássico de Chico Buarque inspirado na obra “Ópera dos Três Vinténs”, de Bertolt Brecht e Kurt Weill, com versão dirigida por Jorge Farjalla, em cartaz no Teatro Renault, em São Paulo, em uma montagem que revisita um dos textos mais emblemáticos do teatro musical brasileiro.
Detalhes da narrativa e a história de Barrabás
A trama de “Ópera do Malandro” gira em torno de Max Navalha (José Loreto), um contrabandista bem-sucedido que se casa às escondidas com Teresinha (Carol Costa), filha dos donos de uma rede de bordéis que aspiram à alta sociedade.
Revoltados com a união, os pais da jovem articulam um plano contra o malandro. Em meio a uma celebração da brasilidade, da cultura popular e do folclore, a montagem incorpora referências da umbanda e da vida nas ruas para contar uma história que atravessou gerações e segue, mesmo quase 50 anos depois, muito atual.
No espetáculo, Isaac é responsável por interpretar Barrabás, braço direito do malandro Max Navalha e personagem-chave na engrenagem da narrativa.
“Ele é o grande amigo do Max, é como se fosse o líder dos capangas do covil, e é trocado pelo Max quando Teresinha chega e assume o poder dos negócios. Barrabás se sente extremamente traído pelo seu amigo e vira ‘casaca’, porque ele vai pra polícia e vira um inspetor logo depois de ser demitido por Teresinha”, conta o ator.
Audição e escolha do personagem
O processo seletivo para o musical passou por diferentes etapas, envolvendo dança, canto e atuação. As audições foram conduzidas pela coreógrafa Leilane Teles e seu assistente Tiago Dias, pelo diretor musical Gui Leal e pelo diretor Jorge Farjalla.
“Desde a audição, ele [Farjalla] perguntou o porquê eu gostaria de fazer o espetáculo, e eu disse que fazer ‘Ópera do Malandro’ é muito mais do que qualquer personagem, é sobre fazer a obra e falar sobre nossa cultura e nossa história. Então foi muito simbólica essa audição, porque a gente se sentiu acolhido desde o primeiro momento”, relembra.
Encenação não-naturalista
A encenação aposta no não-naturalismo e em um visagismo marcante, que contribui para a construção da identidade dos personagens. Para dar vida a Barrabás, Isaac conta que buscou inspiração no corpo e nos movimentos de um galo.
“Tenho um chapéu com penas de rabo de galo, então pensei ‘cara, ele é um grande galo’. Comecei a pesquisar vídeos de como um galo anda, como um galo observa as coisas, qual a postura, e humanizar esse galo. Além de contar com a equipe de criação do espetáculo, tive auxílio da Dani Calicchio [assiste de direção do Farjalla] e principalmente do Fábio Enriquez, artista que sou completamente apaixonado e fã pra mim foi uma honra ter esse apoio na construção do Barrabás”, explica.
O ator também faz questão de destacar a experiência de dividir o palco com artistas que sempre fizeram parte de suas referências pessoais e profissionais.
“Estou trabalhando com todas as minhas referências de vida, desde técnica, stages, equipe criativa e um elenco de artistas que pra mim moldaram minha jornada artística, admiro cada um, já acompanhava todos, então estou nas nuvens ao lado das minhas referências. Isso sim pra mim é honra”, reflete.
Paixão antiga
A relação de Isaac com a obra de Chico Buarque nasceu desta montagem. Em 2023, o ator integrou a produção do CEFTEM, escola de teatro musical, com direção de Victor Maia, em uma prática de montagem intitulada “Ópera das Malandras”, versão da história protagonizada apenas por mulheres.
“Quando passei para esse novo ‘Ópera do Malandro’, eu fiquei muito feliz porque eu já conheci as músicas e já era apaixonado pela obra há muito tempo, antes mesmo de a produzir. Eu fiquei muito realizado também de ver como a vida faz esse movimento: eu era produtor do espetáculo, trabalhando no backstage, e hoje eu estou como Barrabás numa montagem gigantesca no Teatro Renault. É de uma honra tremenda poder estar nessa produção nesse momento. Eu não poderia estar em um nenhum lugar melhor do que celebrando os 50 anos da obra que eu sou fã com esse elenco de artistas talentosíssimos e com uma direção maravilhosa. Estou vivendo um grande sonho”, afirma.
Adaptações na visão de Jorge Farjalla
A atual encenação traz adaptações importantes em relação ao texto original, a partir da leitura de Jorge Farjalla. O processo incluiu um longo período de análise e aprofundamento dramatúrgico.
“Tivemos praticamente 15 dias de leitura de texto pra entender a camada do personagem, entender cada cena, o que tinha alguma fala problemática ou se tinha alguma coisa que a gente podia destrinchar pra poder criar a partir disso, um gesto, uma respiração diferente pra aquele personagem. Então essa adaptação é única, ela nunca foi feita da forma que vai ser apresentada, então acho que essa é a grande graça dessa adaptação”, destaca.
A musicalidade também ganha novos contornos. A montagem se estrutura como uma verdadeira ópera com elementos afro-brasileiros, incorporando símbolos e ritos da umbanda.
O trabalho é liderado pelo diretor musical Gui Leal, com arranjos de Roniel de Souza e Daniel Alfaro, que transformam as canções de Chico Buarque, como “Folhetim” e “Geni e o Zepelin”, músicas escritas para a montagem e que rapidamente caíram na boca do povo, em uma grande gira.
“Fico muito feliz de cantar os arranjos dele, de ouvir os arranjos musicais da orquestra porque é um deleite ouvir um trabalho tão bem feito e com uma musicalidade mais brasileira do que nunca, você pode esperar uma musicalidade muito brasileira com muito axé”, comenta.
Antes da estreia
O espetáculo estreou no Teatro Renault na última sexta-feira (23/1) e, pouco antes de subir ao palco, Isaac celebrou a chegada ao Teatro Renault como um marco pessoal e profissional, destacando também a ansiedade de mostrar para o público o resultado do trabalho.
“A ansiedade está a mil. Ensaiamos muito, já recebemos algumas pessoas para assistir, então a gente já entende uma reação, mas nada se compara a um teatro lotado pronto pra assistir. Estar nesse teatro, que pra mim sempre foi um grande sonho, é uma grande realização e uma confirmação que é possível sonhar, é possível realizar, e que assim como eu fui inspirado por outros artistas para eu estar aqui hoje, que eu possa abrir portas para novas pessoas assim como eu”, completa.
A Gazeta participou da coletiva de imprensa de “Ópera do Malandro” e te mostrou um trecho de um dos números mais icônicos do musical; confira a seguir:
Planos futuros
Depois da temporada de “Ópera do Malandro”, Isaac Belfort se prepara para anunciar os protagonistas de “Portela”, espetáculo do qual é idealizador, produtor e ator, em homenagem ao centenário da escola de samba.
Ele também pretende retoma a turnê de “Benjamin, O Palhaço Negro”, montagem sobre a trajetória do primeiro palhaço preto do Brasil, que percorreu o País por três anos.
Serviço – “Ópera do Malandro”
Onde? Teatro Renault – Av. Brigadeiro Luís Antônio, 411 – Republica, São Paulo
Quando? A partir de 23 de janeiro de 2026
Quanto? De R$ 25 a R$ 375; ingressos disponíveis na plataforma Tickets for Fun
Classificação: 14 anos






