‘Nickel Boys’ inova ao colocar espectador na pele do protagonista

Formato em primeira pessoa traz uma experiência única ao espectador, que sente que está sofrendo o mesmo que o personagem

Nickel Boys mostra a vivência de dois amigos negros em um reformatório nos anos 1960

Nickel Boys mostra a vivência de dois amigos negros em um reformatório nos anos 1960 | Divulgação/Amazon MGM Studios

Dirigido por RaMell Ross, “Nickel Boys” coloca os espectadores dentro de sua trama. Em primeira pessoa, o filme acompanha um jovem negro enviado a um reformatório nos anos 1960, mostrando racismo, tortura e violência de forma quase poética.

Continua após a publicidade

Indicado em duas categorias do Oscar 2025 — Melhor Filme e Melhor Roteiro Adaptado —, o filme é uma adaptação do livro de mesmo nome, escrito em 2019 por Colson Whitehead.

Continua após a publicidade

“Chegamos nessa abordagem pensando como era para o espectador se sentir dentro daquele momento e não olhando de fora”, afirma o diretor em entrevista ao canal JP Film Talks do Youtube.

Continua após a publicidade
@@NOTICIA_GALERIA@@

Com o pano de fundo dos Movimentos Pelos Direitos Civis dos Estados Unidos, o protagonista Elwood Curtis é inspirado pelas ideias de Martin Luther King. Seu melhor amigo, Turner, não acredita no pacifismo e acredita que os dois devem agir.

Continua após a publicidade

A história se desenvolve sob o ponto de vista infantil e inocente de Elwood, preso injustamente. RaMell convida os espectadores a sentir na pele as emoções do protagonista, experienciando ser o personagem.

Continua após a publicidade

Os horrores da Nickel Academy

A trama começa quando Elwood aceita uma carona, entra num carro roubado e acaba preso injustamente. O protagonista é levado para a Nickel Academy, inspirada em um reformatório que realmente existiu nos anos 1960, o Dozier School for Boys.

Continua após a publicidade

A instituição, hoje fechada, era conhecida por suas sessões de torturas contra os alunos negros. A segregação racial instensa é retratada no filme no formato de memórias. Mesmo sem muitos detalhes em cada cena, a obra consegue comover os espectadores.

Continua após a publicidade

Todas essas cenas são mostradas pelos olhos de Elwood. Essa perspectiva só muda quando Turner entra na história e começa a mostrar o seu ponto de vista. 

Continua após a publicidade

Com essas mudanças de visões, não é preciso mostrar a violência diretamente. Para retratar os horrores da Nickel Academy são usados efeitos sonoros, cortes de cena e imagens de arquivo.

Continua após a publicidade

Desafios no set

Para manter o ponto de vista na primeira pessoa, o filme precisou ser gravado com os atores contracenando com câmeras. Eles comentam que essa experiência foi diferente de tudo que já fizeram e relataram suas dificuldades com o formato.

Continua após a publicidade

Aunjanue Ellis-Taylor, que faz o papel de avó de Elwood, comenta que as filmagens foram difíceis. “Eu estava atuando com uma câmera e não com o meu neto. Isso leva a uma certa dificuldade quando você está acostumado a falar com pessoas.”.

Continua após a publicidade

Ethan Herisse e Brandon Wilson, que fazem os papéis de Elwood e Turner respectivamente, contam que ficavam no set mesmo quando os outros atores contracenaram com as câmeras e não com eles.

Continua após a publicidade

“Nós continuávamos presentes nas cenas para que, mesmo que os outros não pudessem interagir com a gente, eles sentissem a nossa energia”, afirma Ethan.

Continua após a publicidade

Opinião dos críticos

Nickel Boys foi reconhecido nas premiações por sua ótima direção e sua fotografia impecável. O formato inovador agradou os críticos, que elogiaram o ponto de vista do protagonista.

Continua após a publicidade

O filme tem 90% de avaliação no Rotten Tomatoes. Com essa nota, ocupa o sexto lugar do ranking entre as obras indicadas a Melhor Filme no Oscar de 2025, onde concorre com o brasileiro Ainda Estou Aqui.