O espetáculo “Hamlet, sonhos que virão” ficará em cartaz no Nu Cine Copan, localizado nas ruínas do antigo Cine Copan, no coração de São Paulo, entre os dias 16 de maio e 14 de junho, com ingressos a partir de R$ 75, diponíveis através da plataforma do espaço ou presencialmente na bilheteria do Teatro Renault, localizado também na região.
A montagem, que retorna à cena paulistana após uma primeira temporada de grande repercussão entre os meses de fevereiro e abril, ganha agora um novo protagonista: Ícaro Silva assume o papel-título da tragédia de William Shakespeare sob direção de Rafael Gomes.
Escrita entre 1599 e 1601 por William Shakespeare, “Hamlet” permanece como uma das obras mais influentes da dramaturgia ocidental. A peça acompanha o príncipe da Dinamarca diante do assassinato do pai, da ascensão de um tio ao trono e da deterioração moral do reino.
Entre desejo de justiça, dúvida e paralisia, Shakespeare constrói uma reflexão sobre poder, responsabilidade e crise existencial que atravessa séculos sem perder força.
Ícaro Silva como Hamlet: “Como recusar esse convite, quando vi pessoalmente o poder da peça sobre o público?”
Depois de atrair mais de 25 mil espectadores em sua primeira temporada na capital paulista, a adaptação contemporânea do clássico volta em nova fase. Antes interpretado por Gabriel Leone, o personagem agora ganha a leitura de Ícaro Silva, parceiro antigo de Rafael Gomes em projetos para teatro e cinema.
“Talvez eu tivesse pensado duas vezes sobre o desafio tremendo que é ocupar o lugar de um ator brilhante como Gabriel Leone, em um elenco que há meses arrebata o público, se não tivesse assistido à essa montagem tão especial dirigida por Rafael Gomes. Mas como recusar esse convite, quando vi pessoalmente o poder da peça sobre o público? É teatro da melhor qualidade, o paraíso de qualquer ator”, afirma Ícaro.
O ator também destaca a atualidade do texto de Shakespeare:
“O privilégio maior é que esse me parece um momento ideal no tempo e no mundo para se aprofundar nas humanidades que Shakespeare desvela através da tragédia, especialmente em uma encenação como essa. Estou muito animado e não vejo a hora de ocupar o trono da Dinamarca.”
Protagonismo negro
Reconhecido por trabalhos no teatro, cinema, televisão e streaming, Ícaro Silva chega ao personagem em um momento consolidado de sua carreira.
Sua presença no papel amplia o diálogo da obra com o Brasil contemporâneo e reforça discussões que o ator já levou para o centro de sua trajetória artística, especialmente sobre representatividade e protagonismo negro na indústria cultural.
Espaço físico como parte da dramaturgia
Mais do que remontar um clássico, o espetáculo transforma o próprio espaço em parte da dramaturgia. A encenação ocupa o canteiro de obras do antigo cinema do Copan – um dos edifícios mais icônicos de São Paulo – fechado há décadas e atualmente em reforma.
O espetáculo desloca o teatro para fora do teatro, e, assim, a ruína arquitetônica torna-se linguagem. Ao invés da tradicional “caixa preta” de um cinema, a montagem inverte a lógica do espaço: a plateia, que comporta cerca de 360 pessoas, ocupa a área onde antes ficava a tela, enquanto a ação se desenrola no antigo espaço da plateia, criando um palco em formato de semi-arena.
“Hamlet fala de um mundo que ruiu, de estruturas que já não se sustentam”, afirma Rafael Gomes. “Encenar a peça em um edifício em ruínas não é um efeito estético, é uma tomada de posição. A ruína é o próprio estado do drama”, destaca, explicando a lógica do público assistir à essa montagem em um corpo arquitetônico marcado por camadas de memória urbana, uso e desgaste do tempo.
Adaptação direta e contemporânea
Na adaptação assinada por Rafael Gomes e Bernardo Marinho, o texto ganha deslocamentos internos, reorganizando alguns solilóquios e enfatizando personagens consumidos por impasses emocionais e pelo excesso de suas paixões.
A montagem parte da tradução de Aderbal Freire-Filho, Wagner Moura e Barbara Harrington, conhecida pela linguagem direta e contemporânea.
“Sonhos que virão”
O espetáculo marca ainda um momento simbólico para o próprio edifício. Após “Hamlet, sonhos que virão” o espaço do Nu Cine Copan passará por obras definitivas antes de reabrir, em 2027, como um novo equipamento cultural da cidade.
“Existe algo de muito potente em habitar esse lugar exatamente agora, neste intervalo entre o que foi e o que ainda vai ser”, diz Rafael Gomes. “O espetáculo acontece nesse estado de passagem. São, também, os sonhos que virão.”
Serviço – “Hamlet, sonhos que virão”
Onde? Nu Cine Copan – Av. Ipiranga, 200 – Centro – São Paulo (entrada pela galeria do Copan)
Quando? De 16 de maio até 14 de junho; quintas e sextas, às 20h30; sábados, às 16h e 20h; domingos, às 17h
Duração: 130 min, sem intervalo
Capacidade: 360 lugares
Classificação indicativa: 14 anos






