Uma ilha onde desejos se tornam realidade, mas nunca sem algum custo. É a partir dessa ideia que se constrói a narrativa de “Magia, o Musical”, espetáculo autoral brasileiro que marca a estreia da Girassol Produções, do trio de atores Laura Castro, Gigi Debei e Nathan Leitão, em parceria com Marília Lopes.
Em cartaz no Centro Cultural IBT – Instituto Brasileiro de Teatro, na região central de São Paulo, espaço que conta com um palco em formato de “semi-arena”, a montagem segue temporada até o dia 12 de maio, com sessões às terças-feiras e, em algumas semanas, também às quartas. Os ingressos custam a partir de R$ 40 e estão disponíveis através da plataforma Sympla.
Universo fantástico
A narrativa mergulha em um universo fantástico para abordar questões concretas como desigualdade social, opressão e identidade cultural. Escrito por Nathan Leitão e Letitia Bullard, o musical apresenta ao público a ilha fictícia de Tekoha, onde uma fonte mágica é capaz de realizar desejos: ao completar 17 anos, cada habitante tem direito a um pedido. O aparente privilégio, no entanto, esconde uma dinâmica desigual, a cada desejo atendido, algo de valor equivalente é retirado da ilha vizinha, Deyo.
É nesse cenário que surge Leilani, jovem de Deyo que atravessa as fronteiras de sua terra em busca da magia que pode salvar seu pai. Sua trajetória, ao mesmo tempo pessoal e política, conduz a trama à uma reflexão central: o que é, de fato, a magia em uma sociedade que normaliza desigualdades e sustenta seus próprios desequilíbrios?
Mais do que uma narrativa escapista, “Magia” propõe uma experiência em camadas, na qual o apelo visual dialoga com reflexões sobre pertencimento, acesso e identidade. O espetáculo transita entre o imaginário e a leitura do mundo contemporâneo, sem abrir mão da complexidade dos temas que aborda.
Encontro artístico
O projeto nasceu de um encontro artístico entre Nathan Leitão e Letitia Bullard durante o mestrado em Composição para Teatro Musical na Berklee College of Music, em Nova York. A partir de suas origens, brasileira e bahamense, respectivamente, os criadores desenvolveram uma mitologia própria, atravessada por referências culturais diversas e por uma investigação sobre dinâmicas sociais compartilhadas em diferentes contextos.
Desde então, o musical vem sendo desenvolvido em um circuito internacional. A montagem participou de showcases em Nova York com instituições como New York Theater Barn e Prospect Musicals, integrou o NAMT em 2025 e passou por processos de desenvolvimento na Syracuse University e na Manhattan School of Music. Atualmente, a obra segue em aceleração pela Yale University, etapa que impulsionou a realização simultânea de montagens no Brasil e nas Bahamas em 2026.
Elenco estrelado
No elenco, nomes conhecidos do teatro musical brasileiro se juntam a novos talentos. Laura Castro, de “Meninas Malvadas, o Musical”, interpreta Leilani e também atua na produção, ao lado de Gigi Debei e Marília Lopes, que dividem funções entre bastidores e palco.
Marília vive Yara, enquanto Aline Serra dá vida a Deanna, João Ferreira interpreta João Doidão, Ivan Parente é Ivo, Yudchi assume Kadu, Gigi Debei interpreta Sadé e Abrahão Costa vive Azuri. O conjunto ainda conta com covers, swings e ensemble formados por Nayara Venâncio, Nicole Luz, Eddy Norole, Gabriel Kadu, Nicolas Mencalha, Sarah Macedo, Helena Bemelmans, Douglas Motta e Jeison Lopes, além de Ana Catharina Goulart, que também assina a assistência de coreografia e atua como dance captain.
A trilha é executada ao vivo, sob regência e teclado de Sarah Moreira, com Thiago Guimarães no violão e baixo, e Kayo Vidal e Lukas Felli alternando na percussão. A preparação vocal é de Pedro Copetti. Musicalmente, o espetáculo mistura ritmos brasileiros como samba, rap, funk e bossa nova a influências afro-latinas e caribenhas, criando uma identidade sonora que acompanha o desenvolvimento da narrativa.
O visual da montagem reúne o figurino de Allan Ferc, o visagismo de Dicko Lorenzo e Matte Gadelha, a cenografia de César Augusto e a iluminação de Gabriel Gonçalves. O desenho de som é assinado por Guilherme Zomer. Tudo isso ganha força no formato do Palco Praça, espaço intimista com cerca de 160 lugares, que aproxima o público da cena.
Porta de entrada para novos espectadores
Pensado para diferentes faixas etárias, “Magia, o Musical” se apresenta como uma porta de entrada para novos espectadores e, ao mesmo tempo, oferece densidade para quem já acompanha o teatro musical. Ao equilibrar entretenimento e reflexão sem simplificar seus temas, a obra propõe um olhar deslocado: o extraordinário não como fuga, mas como ferramenta para interpretar o mundo.
A montagem conta com apoio de Casa da Dança, Bake Bun, Radar Sound, IBT, HAYA, Sala Palco, Mari Maria, Broadway Experience e Stone Art Films, além de patrocínio de Hera Casting, Padoca Delas, Ebla Skincare, Brasil Classical e LML Contabilidade.
Serviço – “Magia, o Musical”
Onde? Instituto Brasileiro de Teatro – IBT – Av. Brigadeiro Luís Antônio, 277 – Bela Vista – São Paulo
Quando? Até 12 de maio; sessões às terças e ocasionalmente às quartas-feiras, sempre às 20h
Duração: 135 minutos (com intervalo)
Classificação: Livre
Lotação máxima: 160 pessoas
Quanto? A partir de R$ 40; assentos são ocupados por ordem de chegada







