Depois de circular por Juiz de Fora, cumprir uma longa temporada no Rio de Janeiro e estrear em São Paulo com ótima recepção, o espetáculo “Meu Remédio” retorna ao Teatro Santos Augusta, na região central da capital paulista, a partir do dia 28 de fevereiro.
Escrita, produzida e interpretada pelo ator Mouhamed Harfouch, com direção de João Fonseca, a peça chega à sua segunda temporada paulista embalada pela solidez de quase um ano em cartaz e por um reconhecimento que veio de vários lados: público, crítica e prêmios.
Nesse percurso, o espetáculo conquistou o Prêmio FITA de “Melhor Dramaturgia”, em uma edição em que também foi indicado nas categorias “Direção” e “Melhor Ator”, além de receber o Prêmio Arcanjo de “Teatro Solo”.
Revisitar a própria trajetória
A peça surge do desejo de Harfouch de revisitar a própria trajetória e investigar a relação com seu nome, ponto de partida para uma narrativa que mistura música ao vivo, humor, memórias pessoais e momentos de introspecção.
Em cena, o ator percorre lembranças da infância e da juventude, atravessadas pela herança síria do lado paterno, pela ascendência portuguesa da família materna e pelas experiências de pertencimento e aceitação no Brasil dos anos 1970.
O resultado é um equilíbrio delicado entre comicidade e emoção, que estabelece uma conexão direta com o público e transformou “Meu Remédio” em um dos solos mais comentados do último ano.
Reaproximação com as próprias raízes
O texto começou a ganhar forma durante as gravações da novela “Órfãos da Terra”, quando o ator se viu novamente próximo de suas raízes.
Esse movimento se aprofundou mais tarde, na turnê de “Quando Eu For Mãe Quero Amar Desse Jeito”, momento em que Harfouch percebeu que aquele mergulho pessoal precisava, de fato, virar cena. A escrita se estendeu por meses e veio acompanhada do desafio de assumir também a produção do espetáculo, uma decisão que exigiu maturidade e segurança artística.
A direção de João Fonseca foi decisiva para organizar esse material sensível, equilibrando espontaneidade, humor e emoção, e fazendo com que a experiência individual dialogasse com questões universais.
Atividade profissional
A nova temporada também coincide com um período de intensa atividade profissional do ator, que reafirma a versatilidade de uma carreira com mais de três décadas, mais de quarenta produções teatrais e presença constante em novelas, séries e filmes de grande alcance.
Em 2026, Harfouch poderá também ser visto no cinema, em “Viver de Vento”, interpretando Torben Grael, e na cinebiografia “Emmanuel”, em que assume o papel-título.
Costurado por personagens que representam figuras marcantes das duas primeiras décadas de sua vida e por uma trilha cantada e tocada ao vivo, “Meu Remédio” propõe uma reflexão sobre as próprias origens, partindo do pessoal para alcançar o coletivo.
O espetáculo, que se consolidou como um dos solos mais bem-sucedidos do período recente, evidencia como cada história é atravessada por escolhas, afetos e camadas que moldam quem somos. Ao tratar de identidade, pertencimento e autoconhecimento, emociona sem recorrer a excessos.
E reforça a ideia que ecoa em cena: “um nome nunca é só um nome”, assim como uma história verdadeira nunca termina apenas em quem a conta.
Serviço
Onde? Teatro Santos Augusta – Alameda Santos, 2159 – Jardim Paulista, São Paulo
Quando? De 28 de fevereiro a 29 de março, com sessões aos sábados, 20h, e domingos, 18h
Quanto? R$ 150 Plateia | R$ 90 Balcão; ingressos disponíveis através da plataforma Sympla
Duração: 75 minutos
Classificação: 10 anos



