‘O cérebro precisa de amigos’: em novo livro, neurocientista de Stanford mostra como a solidão pode ser mais letal que a obesidade

Na obra, Ben Rein explica por que a falta de conexões sociais pode representar um risco à saúde ainda maior que doenças físicas

O cérebro precisa de amigos: a neurociência da conexão social"

Livro mostra como o isolamento social afeta o cérebro e o corpo, aumentando o risco de morte em pessoas com poucos vínculos sociais (Fotos: Magnific e Reprodução Instagram/dr.benrein)

Embora a tecnologia facilite o contato entre pessoas, os índices de solidão continuam elevados. Em “O cérebro precisa de amigos: a neurociência da conexão social”, lançado pela HarperCollins, o neurocientista Ben Rein mostra que o isolamento social não é apenas um problema emocional e representa um importante desafio para a saúde pública.

Continua após a publicidade

Segundo o autor, relacionamentos frágeis aumentam em 50% o risco de morte, tornando a solidão um fator de risco estatisticamente duas vezes mais grave que a obesidade e até quatro vezes pior do que os impactos de viver em locais com alta poluição.

Veja também: por que a solidão pode ser mais nociva do que doenças físicas

Como o isolamento afeta o corpo e o cérebro

No livro, Ben Rein explica que o organismo interpreta o isolamento social crônico como uma forma de estresse intenso. Esse processo eleva a inflamação do corpo e provoca alterações que afetam tanto a saúde física quanto a mental.

A obra também mostra que a dor causada pela exclusão social ativa as mesmas regiões cerebrais envolvidas na dor física, o que ajuda a entender por que a solidão pode ser sentida de maneira tão intensa.

Continua após a publicidade

Outro ponto abordado é o impacto do isolamento no envelhecimento. Após os 65 anos, a falta de convivência acelera o encolhimento do hipocampo, região ligada à memória, aumentando o risco de demência.

O autor ainda apresenta o conceito de reserva cognitiva, mostrando que conversas frequentes e interações complexas fortalecem as conexões cerebrais e ajudam a preservar o funcionamento da mente ao longo da vida.

O que fazer para reduzir a solidão

Em vez de apenas descrever os problemas, o livro propõe mudanças simples na rotina. Entre elas estão conversar mais com outras pessoas, criar oportunidades de encontros presenciais e cultivar relações de qualidade.

Continua após a publicidade

A publicação também traz um diário social com 27 perguntas para incentivar o leitor a observar como diferentes interações influenciam seu bem-estar e, assim, construir uma rotina social mais saudável.

Outros assuntos abordados na obra

Além dos efeitos da solidão, Ben Rein explica por que discussões na internet costumam ser mais agressivas, já que a ausência de contato visual e do tom de voz reduz a empatia durante as conversas.

O livro também mostra que deixar o celular sobre a mesa durante um encontro prejudica a conexão entre as pessoas, destaca os benefícios do convívio com cães para reduzir o estresse e explica que conversar com desconhecidos pode aumentar a sensação diária de felicidade, inclusive entre pessoas mais introvertidas.