O fotógrafo Sebastião Salgado, que morreu nesta sexta-feira (23/5), aos 81 anos, foi “salvo” por Pelé quando documentava um genocídio ocorrido em Ruanda, em 1994.
Ele cobria a guerra travada entre os hutus, que eram maioria no país africano, e os tutsi, uma minoria poderosa, considerada uma das mais sangrentas da história.
O que aconteceu
Ao viajar da Tanzânia para Ruanda ao lado de um intérprete, Salgado sofreu uma emboscada de um grupo formado por tutsis fugitivos, que pensavam que ele era francês.
Para salvar a própria pele, Salgado disse ser brasileiro. Ou melhor: disse ser do país do Rei Pelé. O argumento foi suficiente para os africanos liberarem o fotógrafo, que não sofreu qualquer dano.
A história foi revelada pelo próprio Salgado à revista Playboy, anos depois.
“’O que está acontecendo?’, perguntei. ‘Eles vão matar a gente. Acham que você, querendo passar para o outro lado, é amigo dos hutus. E estão desconfiados de que você veio da França’, respondeu o intérprete. Os franceses eram aliados dos hutus no conflito no país.
‘De jeito nenhum! Eu venho do Brasil e tal…’ [disse] em francês, com o cara traduzindo. Fale para eles que eu sou do país do Pelé!”, bradou.
Segundo ele, a partir daí a situação mudou.
“O Pelé é realmente conhecidíssimo e de certa forma salvou a minha vida”, completou ele.
Morte do fotógrafo
O brasileiro enfrentava problemas decorrentes de uma malária, e morreu nesta sexta, aos 81 anos. Ele era considerado um dos fotógrafos mais influentes do mundo. A informação foi confirmada pela Folha de S. Paulo.
Salgado morava com a mulher, Lélia Salgado, e o filho Rodrigo, em um apartamento em Paris.
Na abertura recente de uma mostra na Normandia, no norte da França, onde o artista morava, Salgado parecia abatido. Os remédios que o artista tomava deixaram de funcionar nos últimos anos, ainda segundo relato de pessoas próximas.
