O cantor e compositor Raimundo Fagner acaba de lançar “Meu Parceiro Belchior”, álbum que, como o nome sugere, resgata músicas e lembranças dele com o parceiro Belchior, morto em 2017, quando já havia sido redescoberto pelos mais jovens e virado uma figura cult da música nacional. O lançamento está disponível em todas as plataformas musicais.
Das 12 canções, oito são parceria entre eles. Duas delas, Alazão e Posto em Sossego, são inéditas, encontradas em registros de órgãos da censura da ditadura pelo pesquisador Renato Vieira. As duas têm também Fausto Nilo como parceiro. Elas ganham o primeiro registro fonográfico agora, em 2022.
“Lamento até hoje o fato de, quando fiz um CD, o ‘Amigos & canções’ [de 1998], que tinha muitas participações, não ter convidado o Belchior. Ele me ligou e falou: ‘Pô, magro, eu não vou entrar nesse disco, não?’. E eu falei: ‘Qual foi o último disco teu do qual eu participei?’. Fui cruel, fui muito mal nessa”, retratou-se Fagner, em entrevista a “O Globo”.
A verdade é que a relação de ambos sempre foi conturbada, com direito a brigas físicas e provocações, mas também de mútua admiração. “O Belchior era intelectual, eu sempre fui um cara de disco, que pensava em rádio, em execução e em fama”, disse o cantor, também ao “Globo”.
Fagner e Belchior se uniram durante o movimento conhecido como “Pessoal do Ceará”, quando jovens do estado – principalmente da capital Fortaleza – decidiram no fim dos anos 1960 se unir para dar uma nova cara à produção musical do lugar.
Além dos dois, Ednardo, Amelinha, Fausto Nilo e Augusto Pontes, entre outros, também participaram do Pessoal do Ceará, com mistura de música brasileira com o rock internacional.
Dessa época é Mucuripe, parceria de Fagner e Belchior que se tornou um clássico absoluto da música brasileira: “As velas do Mucuripe / Vão sair para pescar / Vou levar as minhas mágoas / Pras águas fundas do mar…”.
“Meu Parceiro Belchior” também traz um dueto póstumo, em A Palo Seco. As canções ganharam arranjos inéditos do produtor Robertinho de Recife. Além disso, outras vozes colaboram com Fagner na produção: Amelinha, Frejat, Xand Avião e o próprio Belchior, em dueto virtual, fazem parte do disco.
Só por isso seria um álbum que já nasceu histórico. Mas há muito mais.
