Mesmo sendo o nome por trás de alguns dos maiores sucessos de bilheteria da história do cinema, Steven Spielberg carrega uma postura mental surpreendente sobre seus projetos:
“Eu sempre me preparo para o fracasso e acabo surpreendido pelo sucesso.”
À primeira vista, a declaração do diretor de Tubarão, Jurassic Park e A Lista de Schindler pode soar como pessimismo. No entanto, sob uma análise mais profunda da psicologia comportamental e da gestão de riscos, revela-se uma das estratégias mais eficazes de resiliência e alta performance.
O paradoxo da expectativa: por que esperar o pior funciona?
Na cultura da produtividade e do empreendedorismo moderno, prega-se frequentemente o “pensamento positivo incondicional”. Contudo, focar unicamente no cenário ideal cria uma vulnerabilidade emocional perigosa: a incapacidade de lidar com o imponderável.
Ao preparar-se para o fracasso, Spielberg adota um conceito antigo, muito próximo ao estoicismo — o premeditatio malorum (a premeditação dos males).
Essa abordagem oferece vantagens claras:
- Redução da ansiedade de desempenho: Quando a mente já contemplou o pior cenário possível, o medo do desconhecido perde a força.
- Planejamento de contingência: Mapear os riscos permite criar soluções antecipadas para eventuais crises.
- Aumento da gratidão pelo resultado: Sem a pressão de uma expectativa irreal, cada conquista intermediária é celebrada com mais intensidade.
A mentalidade de Spielberg na prática cinematográfica
Produzir um filme de grande porte envolve milhares de variáveis incontroláveis: condições climáticas, falhas técnicas, pressões do estúdio e a receptividade imprevisível do público.
Na gravação de Tubarão (1975), por exemplo, o tubarão mecânico frequentemente quebrava, o orçamento estourou e as gravações atrasaram meses. Se o diretor não estivesse mentalmente pronto para lidar com o caos e enfrentar o risco de um fracasso, o longa jamais teria sido concluído para se tornar um marco do cinema global.
Transformar falhas em adaptação criativa exige aceitar, desde o primeiro dia, que as coisas podem dar errado.
Como aplicar a “estratégia do fracasso” nos seus projetos
Integrar a filosofia de Spielberg à sua rotina profissional ou pessoal não significa cultivar um mindset derrotista, mas sim construir um planejamento realista.
1. Faça um “Pre-Mortem” do projeto
Antes de lançar uma ideia, pergunte-se: “Se isso der completamente errado daqui a seis meses, quais foram os motivos?” Liste as possíveis causas e trabalhe para neutralizá-las hoje.
2. Separe o processo do resultado
Concentre sua energia naquilo que está sob seu controle direto — o esforço, a técnica e a execução. O sucesso comercial ou o reconhecimento externo são consequências, não garantias.
3. Proteja sua saúde emocional
Aceitar que a falha é uma possibilidade estatística impede que um tropeço profissional seja absorvido como uma derrota pessoal.
