Tragédia de Shakespeare, ‘Macbeth’ ganha versão drag queen com temporada de estreia no Sesc Pompeia, em São Paulo

Montagem da Cia. Extemporânea é o segundo espetáculo do projeto 'Shakespeare in Drag' e fará temporada no Sesc Pompeia, em São Paulo

A montagem é o segundo trabalho do projeto 'Shakespeare in Drag', iniciado com 'Rei Lear'. Foto: Divulgação

A montagem é o segundo trabalho do projeto 'Shakespeare in Drag', iniciado com 'Rei Lear'. Foto: Divulgação

Uma das tragédias mais conhecidas de William Shakespeare (1564-1616), “Macbeth” acaba de ganhar uma versão em linguagem drag queen produzida pela Cia. Extemporânea.

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Dirigido por Ines Bushatsky, com adaptação de texto assinada por João Mostazo, o espetáculo estreou no “Mirada – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas”, com todos os ingressos esgotados, e agora chega ao Sesc Pompeia, na zona oeste de São Paulo, para sua primeira temporada.

As apresentações ocorrem de 22 de outubro a 15 de novembro, com sessões às quintas-feiras e aos sábados, às 20h; às sextas-feiras, às 16h e às 20h; e aos domingos, às 18h. Os ingressos custam: R$ 60 (inteira), R$ 30 (meia-entrada) e R$ 18 (credencial plena), e podem ser adquiridos através do site oficial do Sesc.

Projeto de abertura foi o sucesso ‘Rei Lear’

A montagem é o segundo trabalho do projeto “Shakespeare in Drag”, iniciado com “Rei Lear”. Vista por mais de 10 mil pessoas em diferentes cidades brasileiras, a primeira peça rendeu a Alexia Twister, que também está no elenco de “Macbeth”, o Prêmio Shell de Melhor Ator em 2025.

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Além de Alexia, “Macbeth” reúne no palco Antonia Pethit, DaCota Monteiro, Ginger Moon, Lilith Prexeva, Maldita Hammer, Mercedez Vulcão, Thelores e Xaniqua Laquisha, todas integrantes do elenco da montagem anterior.

Segundo a diretora Ines Bushatsky, a ideia de levar Shakespeare aos palcos com um elenco inteiramente formado por drag queens surgiu em 2017, durante os ensaios de A demência dos touros. A peça contava com a participação da drag Lilith Prexeva e tinha cenas inspiradas em Hamlet.

Já era um sonho antigo fazer Shakespeare com um elenco formado inteiramente por drag queens. Tive a ideia em 2017, durante os ensaios da peça A demência dos touros, que contava com a drag Lilith Prexeva no elenco e tinha cenas inspiradas em Hamlet. Ali, há quase dez anos, já estávamos explorando muito do que iríamos concretizar futuramente, um espaço de cena onde a drag estabelece diferentes tipos de ambiguidade, entre as performances de gênero, entre o ser ou não ser, e o ser e não ser.

Ambição, culpa e paranoia em ‘Macbeth’

Na trama, o general Macbeth retorna da guerra e encontra três bruxas em um descampado. Elas profetizam que ele se tornará rei da Escócia. Impulsionados pela previsão, Macbeth e sua esposa, Lady Macbeth, planejam assassinar o atual monarca, Duncan, e tomar a coroa.

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O crime, porém, desencadeia uma sequência de culpa e violência que mergulha o reino no terror e no despotismo. Consumido pela angústia e pela paranoia, Macbeth passa a temer pela própria posição e se transforma em um tirano.

Responsável pela adaptação, João Mostazo destaca a complexidade da dramaturgia de Shakespeare, construída tanto pelo que as personagens dizem quanto pelos sentidos que permanecem implícitos em suas falas.

“Apesar da trama relativamente simples, Macbeth é uma peça de extraordinária complexidade. Quase tudo do que as personagens dizem pressupõe uma segunda camada de sentido, e há um ensurdecedor não-dito pulsando por baixo de toda a ação. Ao contrário de ‘Rei Lear’ – que, à maneira de um teatro do mundo, contém todas as paixões humanas – o conjunto de sentimentos que a trama percorre é restrito, e gira em torno de um mesmo eixo emocional: medo, paranoia, traição, desconfiança, ambição. Cada uma dessas emoções, no entanto, é investigada com insuperável profundidade”, afirma.

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A proposta de “Shakespeare in Drag” também passa por repensar as representações tradicionais de gênero presentes nos textos do dramaturgo. De acordo com Bushatsky, as duas montagens do projeto suspendem esses papéis e os apresentam de maneira menos fixa e definitiva.

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“A drag em relação ao personagem shakespeariano faz ainda mais uma torção, repensando figuras tradicionais a partir de escolhas políticas e estéticas trazidas pelo universo LGBTQIAPN+. Além disso, na adaptação importa menos a fidelidade literal e mais o efeito que o texto causa. Qual efeito Shakespeare conseguia quando seus personagens diziam uma gíria da época? Para isso, Mostazo insere referências a versos e expressões da cultura e da literatura brasileira, trazendo assim para perto do público inspirações poéticas já conhecidas”, explica a diretora.

Serviço – ‘Macbeth’

  • Onde? Sesc Pompeia – Rua Clélia, 93 – Água Branca, São Paulo
  • Quando? De 22 de outubro a 15 de novembro; às quintas-feiras e aos sábados, às 20h; às sextas, às 16h e às 20h; e aos domingos, às 18h
  • Quanto? R$ 60 (inteira), R$ 30 (meia-entrada) e R$ 18 (credencial plena)
  • Duração: 105 minutos
  • Classificação indicativa: 14 anos