Veronica Debom defende papel da arte para desbrutalizar a sociedade e fala sobre os novos desafios das novelas e cinema nacional: ‘abre o olhar e gera empatia’

Veronica Debom fala sobre o papel da arte na sociedade, desafios das novelas, cinema nacional e os impactos das novas tecnologias

Veronica Debom/Yasmin Martildes/Gazeta de S. Paulo

A atriz e roteirista Veronica Debom defende que a cultura tem papel fundamental na construção de uma sociedade mais empática e consciente.

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Em entrevista ao programa Direto da Gazeta, exibido pela TV GMG, a artista falou sobre os desafios do cinema nacional, expansão das plataformas de streaming, importância de aproximar a política do público por meio do humor e os impactos das novas tecnologias no consumo de produções audiovisuais.

Conhecida por trabalhos na televisão e no cinema, como as novelas Chamas da Vida e Órfãos da Terra, além dos filmes Minha Irmã e Eu e O Clube das Mulheres de Negócios, Veronica também integra o elenco da série Afiadas, exibida pela TV Brasil, e está no novo longa-metragem O Deserto de Luiza, dirigido e roteirizado por Alan Minas.

Durante a conversa, a atriz destacou que a fragmentação da atenção representa um dos grandes desafios para o setor audiovisual. Segundo ela, o hábito de consumir vídeos curtos tem afetado a relação do público com produções mais longas, como os filmes exibidos nas salas de cinema. A entrevista em vídeo pode ser acessada abaixo:

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Para Veronica, entretanto, a arte vai muito além do entretenimento. “O cinema, a novela e a arte cumprem a função de desbrutalizar, de abrir o olhar para o outro e de gerar empatia”, afirmou. Confira trecho da entrevista abaixo:

Tem algum gênero de que você gosta mais?

Dramédia, eu acho. Eu acho que a vida é dramédia, né?. Porque a comédia, o mesmo evento, né, se você está de longe, ele é cômico. E, se você está de perto, é trágico. […] Então, eu acho que a vida são essas duas forças o tempo todo. Por isso, gosto muito de dramédia, porque acho que é uma expressão da realidade como ela é.

Como foi a produção e o convite para a série ‘Afiadas’? Como você recebeu esse trabalho?

Afiadas é um trabalho muito especial. Porque é isso, a gente está tentando falar de política de uma forma superacessível, com humor. A política vai se afastando das pessoas […] e eu acho que o nosso trabalho enquanto artistas é trazer mais para perto, né? Porque é isso, a vida é política.

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 E, com Afiadas, acho que a ideia era essa: mostrar mulheres debatendo na televisão e fazer com que cada uma tivesse um ponto de vista muito diferente da outra, politicamente falando, mas todas são muito inteligentes, todas são muito articuladas.”

Como você vê a chegada dos streamings? Fomentou ainda mais a profissão ou não?

Eu acho que é exatamente por aí. A gente agora tem um leque maior de oportunidades. Mas, como toda inovação trazida pelas novas tecnologias, seja com os novos aplicativos ou com a internet, isso abre horizontes diferentes que nunca tivemos antes.

Você acha que ainda falta mais investimento e coragem por parte das empresas para apoiarem o cinema nacional, a nossa cultura e as produções brasileiras?

Ah, com certeza, não tem como dizer que não. Mas eu acho que o grande vilão dessa história toda é a fragmentação da nossa atenção.

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A gente está acostumado a consumir vídeos de um minuto e meio e, aí, vai a um festival de cinema, onde as pessoas são cinéfilas e gostam de arte, mas a galera não consegue mais ficar duas horas sem abrir o celular ou sem acender uma luz no meio da sala.

A cultura é um dos pilares de um País, porque sem ela não há planejamento de longo prazo. O cinema, a novela e a arte cumprem a função de desbrutalizar, de abrir o olhar para o outro e de gerar empatia.