Hoje é dia de Brasil no Oscar 2026. Pela primeira vez na história, o País tem representantes em cinco categorias diferentes.
Os brasileiros concorrem nas categorias de: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Direção de Elenco, Melhor Ator e Melhor Fotografia.
Neste ano, os representantes são: “O Agente Secreto” e Adolpho Veloso, pelo seu trabalho em “Sonhos de Trem”.
Para entender as reais chances do país na premiação, a Gazeta conversou com Matheus Mans, jornalista do Estadão, crítico de cinema e votante do Globo de Ouro.
Melhor Filme
Apesar da presença histórica de um brasileiro entre os indicados, a disputa pela principal categoria da noite deve ficar longe do país.
Segundo Matheus, o grande favorito é o longa “Uma Batalha após a Outra”, que dominou a temporada de premiações.
“É a categoria que o Brasil não tem chance alguma: Uma Batalha Após a Outra é o favorito absoluto, com produções como Pecadores e Hamnet correndo bem por fora. O Agente Secreto, uma pena, passa bem longe de qualquer possibilidade”, afirma.
Melhor Ator
Entre os brasileiros indicados, Wagner Moura aparece como um dos nomes mais fortes do país na premiação deste ano.
Para Matheus, o ator chega à disputa com mais força do que outros brasileiros recentes na categoria, mas ainda não é o principal favorito.
“Wagner Moura chega ao Oscar com mais chances do que Fernanda Torres em 2025. Afinal, o ator é mais conhecido da cena internacional e a Neon fez uma campanha mais intensa. Dá pra dizer que ainda está no páreo, principalmente pela indefinição da categoria e pelo BAFTA, que resolveu esnobar Timothée Chalamet e Michael B. Jordan para premiar um ator que não foi indicado ao Oscar — lembrando que Wagner não foi indicado ao BAFTA, sendo talvez a terceira via que os britânicos estavam buscando”, lembra”, comenta.
Ainda assim, o crítico aponta que a disputa principal deve ficar entre Timothée Chalamet e Michael B. Jordan.
“Infelizmente, o ator brasileiro não é o favorito: a briga mesmo está entre Chalamet e B. Jordan”, finaliza.
Melhor Filme Internacional
Na categoria de Melhor Filme Internacional, “O Agente Secreto” aparece como um dos principais concorrentes da noite.
Mesmo assim, o favoritismo ainda recai sobre outra produção da temporada.
“Aqui, a briga é entre Valor Sentimental e O Agente Secreto. O filme norueguês, porém, continua sendo o favorito — principalmente pelo reconhecimento no BAFTA, mas também por ser mais “acessível” aos votantes da Academia por conta de um elenco já conhecido”, explica.
Melhor Direção de Elenco
Uma das novidades da cerimônia deste ano é a estreia da categoria de Melhor Direção de Elenco no Oscar.
Para o crítico, apesar do destaque artístico de “O Agente Secreto”, “Pecadores” desponta como favorito após as premiações da temporada.
“Categoria difícil de prever, já que é a primeira vez que o Oscar vai reconhecer a direção de elenco. Se fosse pra falar de merecimento, O Agente Secreto e Marty Supreme seriam os mais interessantes — principalmente se pensarmos no elenco como se fosse uma construção de cenário e de ambientação, não em nomes mais ou menos famosos. Apesar disso, Pecadores é o filme que desponta após a vitória no SAG”, avalia.
Melhor Fotografia
Entre todas as categorias com brasileiros indicados, Melhor Fotografia aparece como a que oferece mais chances reais de vitória.
Adolpho Veloso concorre pelo trabalho em “Sonhos de Trem”, produção estrelada por Joel Edgerton.
“É, disparado, a categoria com mais chances do Brasil levar alguma coisa. O diretor de fotografia Adolpho Veloso concorre por Sonhos de Trem e corre por fora enquanto Uma Batalha Após a Outra se mantém como favorito após a vitória no sindicato da categoria. O aspecto artístico do filme estrelado por Joel Edgerton pode surpreender na noite de domingo”, analisa.
