A Seleção da Argentina pode enfrentar punições disciplinares da Fifa após os jogadores exibirem uma faixa em apoio à reivindicação do país sobre as ilhas Malvinas. O caso aconteceu na última quarta-feira (15/7), na comemoração da vitória do time por 2 a 1 sobre a Inglaterra, pela semifinal da Copa do Mundo de 2026.
O resultado garantiu a equipe treinada por Lionel Scaloni na final da competição, marcada para o próximo domingo (19/7), às 16h (horário de Brasília). Já os ingleses disputarão a medalha de bronze um dia antes, às 18h, contra a França.
A polêmica da faixa
Em 2014, a Fifa multou a Associação do Futebol Argentino (AFA) em cerca de R$ 136 mil (cotação atual) depois que jogadores exibiram uma faixa com a mesma mensagem (“As Malvinas são argentinas”) antes de um amistoso contra a Eslovênia.
Segundo a entidade, o gesto viola as regras sobre manifestações políticas e má conduta das equipes. O regulamento oficial da entidade proíbe a exibição de mensagens, slogans ou símbolos de caráter político, religioso ou pessoal antes do jogo, durante a execução dos hinos nacionais, com a bola rolando e após o apito final.
A nova exibição da mensagem foi classificada pelo secretário britânico de Negócios e Comércio, Peter Kyle, como “totalmente inadequada”. Ele ainda afirmou esperar que a Fifa realize uma investigação.
Em contrapartida, a vice-presidente da Argentina, Victoria Villarruel, publicou uma mensagem na rede social X (antigo Twitter) enaltecendo a vitória e o gesto.
“As Malvinas são argentinas”, escreveu Villarruel. “Proibiram que elas entrassem no estádio e esqueceram que as carregamos no sangue e no coração.”
Ela havia afirmado anteriormente que a semifinal era uma oportunidade de “colocar os invasores em seu devido lugar”.
Os atletas argentinos também cantaram músicas que faziam referência não apenas às Malvinas, mas aos ídolos Lionel Messi e Diego Maradona. As canções se tornaram uma marca da campanha argentina até a final da Copa do Mundo.
Entenda a disputa entre Argentina e Inglaterra pelas Ilhas Malvinas
As ilhas Malvinas, também conhecidas como Falkland, como são chamadas no Reino Unido, são um território ultramarino no sudoeste do Oceano Atlântico. O território é administrado pelo governo britânico.
A disputa pelo arquipélago acontece há séculos, especialmente entre ingleses e argentinos. O país sul-americano reivindica as ilhas por razões históricas e herança territorial, além da proximidade geográfica (cerca de 600 km da costa da Patagônia).
A Argentina argumenta que herdou as ilhas da Espanha após conquistar sua independência, uma vez que as Malvinas eram parte do Vice-Reino do Rio da Prata.
O país chegou a estabelecer autoridades locais na região em 1829, com os britânicos expulsando os sul-americanos e assumindo o controle em 1833.
A recuperação do arquipélago criou um forte sentimento de soberania e de correção histórica depois da ocupação britânica. O contexto foi aproveitado e usado como propaganda pelo governo ditatorial do argentino Leopoldo Galtieri.
A tensão, enfim, chegou ao ápice em 2 de abril de 1982, quando as forças militares argentinas invadiram o território.
O Reino Unido, por sua vez, liderado pela ministra Margaret Thatcher, reagiu com o envio de uma força-tarefa naval, dando início a uma rápida e violenta guerra que durou 74 dias e finalizou com a rendição argentina e a manutenção do controle britânico.
Ao todo, o conflito causou a morte de 655 militares argentinos e 255 militares britânicos. Três moradores das ilhas também morreram durante a guerra.
As marcas do conflito ainda são visíveis e respeitadas na paisagem local, sendo possível visitar na capital, Stanley, trincheiras, destroços e memoriais da guerra.







