Uma medição extraoficial indicou que a onda gigante surfada pelo brasileiro Rodrigo Koxa em Nazaré, Portugal, na última sexta-feira (19/12) tem 29,15 metros. Se confirmado, o número devolveria o recorde mundial a Koxa, que atualmente pertence ao alemão Sebastian Steudtner, com 26,21 metros.
O responsável pela medição desta sexta foi o designer, cineasta e surfista Paulo Vinicius, que também foi o responsável pela medição do primeiro recorde de Koxa, de 2017.
À Gazeta, ele explicou nesta terça-feira (23/12) como chegou ao número. Oficialmente, a responsável por anunciar se a marca será de fato superada é o Guiness Book, o que deve acontecer nos próximos meses.
“O surfista mede a sua canela, e ela se torna a unidade de medida. Com isso identificamos o topo da onda, de onde o surfista sai, e a base é onde identificamos que o topo da onda, ou lipe, bate na água, demonstrando claramente a base da medição”, contou ele.
Depois dos pontos identificados, o designer duplica a medida da canela entre o topo e a base para chegar a um resultado numérico.
“No caso do Koxa, temos 55 unidades. Multiplico pelo tamanho da canela que é de 53 centímetros, e assim chego no valor de 29,15 metros”, continuou. Há uma margem de erro de 5% para mais ou para menos.
Em 2017, a sua análise foi fundamental para o recorde ser homologado a favor de Koxa.
“Daquela vez medi e, claramente, ele havia batido o recorde mundo. Só que só foi reconhecido depois de divulgarmos muito as imagens entre surfistas, amigos, Associação de Surfe de Guarujá, imprensa, e por aí vai. Com a pressão, não tiveram como não dar o recorde mundial a ele”, lembrou Paulo Vinicius.
Entenda o possível recorde
Na última sexta, Koxa pegou uma onda impressionante em Nazaré. O brasileiro nascido em Jundiaí e radicado em Guarujá acredita ter batido o recorde mundial, conforme contou em contato com a Gazeta.
A emoção é grande, mas não é inédita. O criador da equipe GoBigger Team e campeão mundial da WSL (World Surf League) foi dono da marca entre 2017 e 2022. Os 24,38m dele foram superados pelo alemão Sebastian Steudtner, com 26,21m, também em Nazaré.
GoBigger
A equipe brasileira GoBigger Team, famosa por enfrentar as ondas gigantes de Nazaré, vem soltando todas as quintas-feiras episódios de uma série audiovisual sobre o desafio que fascina surfistas do mundo inteiro.
Na última quinta (18/12), às 18h, foi publicada a quarta edição, sob o título “A Prova”. Ao todo serão 12 episódios publicados em tempo quase real durante a época da disputa da Nazaré Big Wave Challenge.
“Teve um swell [ondulação] no meio da semana que criou uma expectativa muito grande em relação a tamanho, só que não encaixou no fenômeno do canhão. Por isso o episódio é chamado de ‘O Fenômeno’. Explicamos no episódio como isso aconteceu e a expectativa para um swell gigante até sábado [13/12]”, explicou Koxa à Gazeta em relação ao episódio três.
A produção é feita por uma equipe de profissionais de Guarujá: direção, edição e produção de Rennan Chaves, com cinematografia de Alberto Porcelli.
Os tês primeiros episódios foram batizados como “O Começo”, “Despertar do Canhão” e “O Fenômeno”.
Campeão mundial
Além de Koxa, base da GoBigger conta ainda com Vitor Faria. Ambos costumam participar de todos os campeonatos.
Os outros integrantes são Felipe Namastê, Ramon Leão, Fred Elias, Pablo Bezerra, Victor Mascarenhas, Laura Chichorro, Rennan Chaves, Luis Carriço e Alberto Porcelli.
O documentário tem a pretensão de colocar o público dentro do cotidiano operacional e emocional do surfe em ondas gigantes de Nazaré. Cada capítulo acompanha a leitura de ondas, a tomada de decisão e a preparação técnica, além da convivência entre surfistas de elite.
Há também destaque de como é a relação com outros times e personagens locais que dão corpo e cultura à vila – moradores, pescadores e figuras que fazem a engrenagem girar quando o mar sobe.
Os episódios passam dentro e fora do mar para transportar o espectador para o momento de tensão.
A expressão “GoBigger” nasceu como mantra pessoal de Rodrigo Koxa, que quase perdeu a vida em uma onda gigante em Nazaré. Desde lá, o termo se tornou uma forma para convocar um chamado interno para “ser maior”.




