Antes de morrer, Jorge Messi deixou um pedido que o filho dele, Lionel Messi decidiu cumprir: disputar o Mundial de 2026, que, já doente, Jorge não conseguiu acompanhar com tanta atenção. Poucas semanas depois de perder o pai, o craque argentino escreveu que já não sabia se conseguiria continuar no futebol. Nesta segunda (31/8), ao anunciar a despedida da seleção argentina, a frase ganhou um novo significado.
“Não sei o que vou fazer sem você, não sei como continuar. Eu só jogava futebol e agora tenho muitas dúvidas de que vá continuar fazendo isso por muito mais tempo”, escreveu Messi em 12 de agosto, ao se despedir publicamente do pai.
Na mesma mensagem, o argentino contou que foi Jorge quem havia insistido para que ele disputasse a Copa do Mundo de 2026. Jorge morreu aos 68 anos, pouco após a participação do filho no torneio.
A saúde dele piorou durante a competição, e Messi passou a jogar carregando também o desejo de proporcionar ao pai a chance de vê-lo em campo.
O último pedido de Jorge Messi
A relação entre os dois ultrapassava a de pai e filho. Jorge foi empresário, conselheiro e uma das figuras centrais na trajetória de Messi desde a infância em Rosário até a chegada ao Barcelona. Por isso, a Copa de 2026 ganhou um significado particular.
Messi contou que continuou acreditando que conseguiria avançar no Mundial e que o pai ainda poderia vê-lo jogar. Não aconteceu.
A Argentina chegou à decisão, mas perdeu para a Espanha por 1 a 0. Messi terminou a competição sem conseguir entregar ao pai o segundo título de Copa do Mundo, embora tenha tentado ir além dos próprios limites físicos. “Minhas pernas não aguentavam mais”, escreveu ao relembrar a campanha.
O Mundial acabou sendo, portanto, a última Copa de Messi pela Argentina, e a final, o último jogo.
‘Não sei como continuar’
A frase publicada após a morte de Jorge parecia, naquele momento, uma manifestação de luto. Messi não anunciava uma decisão. Apenas admitia que já não sabia como seria sua vida sem o homem que o acompanhou durante praticamente toda a carreira.
Mas havia um sinal claro: pela primeira vez, o argentino colocava em dúvida a própria relação com o futebol.
Menos de três semanas depois, veio a resposta. Nesta segunda (31/8), Messi anunciou que não defenderá mais a Argentina. Aos 39 anos, encerrou uma trajetória de 20 anos pela seleção, com 207 partidas, 125 gols e 65 assistências.
“Dói na alma, mas entendo que chegou a hora”, escreveu Messi ao comunicar a despedida.
A última Copa que mudou tudo
A despedida não representa apenas o fim de um ciclo esportivo. Ela encerra uma história que começou com frustrações, passou pela aposentadoria momentânea em 2016 e terminou com Messi como campeão mundial em 2022 e dono da carreira mais vitoriosa da história da Argentina.
Em 2026, porém, havia algo diferente. Messi não jogava apenas pela possibilidade de conquistar outra Copa. Jogava também por Jorge.
O pai não esteve nas arquibancadas e não pôde acompanhar a última partida de Messi pela seleção, mas teve seu último pedido atendido. Messi foi à Copa, acabou como vice-artilheiro, líder de assistências e quebrou mais recordes, tendo agradecido seu pai por ter o feito jogar a edição de 2026.
